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Tapeçaria acompanha a história sangrenta do Congo

Tecer a memória: mais de setenta tapeçarias preservam décadas de violência no Congo, mas algumas narrativas não podem ser divulgadas por risco de vida

A tapestry by Lucie Kamusekera depicting the conflict in eastern Congo led by M23 rebels. She says there are some events she cannot make art about as she would fear for her life.
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  • Lucie Kamusekera, nascida em 1944 em Lubero, costura com agulhas feitas de sucata para registrar em tapestries décadas de violência no Congo, com mais de setenta peças no acervo.
  • Suas obras, em cores primárias, retratam eventos como o assassinato de Patrice Lumumba em sessenta e um, o período colonial belga e a segunda guerra do Congo.
  • A artista vive em Goma, Norte de Kivu, acompanhada pela família, que ajuda no ateliê; a violência do grupo M23 molda o que pode ser retratado.
  • O M23, apoiado pelo Exército de Ruanda, ocupou Goma em vinte e cinco e. outros episódios de violência geraram deslocamentos massivos de civis no país.
  • Kamusekera afirma que continuará a transmitir conhecimento por meio das tapestries, mesmo com limitações impostas pela situação de segurança.

Lucie Kamusekera transforma décadas de violência no Congo em tapeçarias feitas à mão, usando agulha e linha. Nascida em 1944, em Lubero, ela registra histórias do país em sacos de juta tingidos com cores vivas. A obra é um registro histórico visual.

Técnica de Kamusekera é simples e resistente: agulhas criadas a partir de sucata de metal e tecido de sacos de tabaco. A abordagem nasceu de uma necessidade de preservar memórias quando a violência aumentou nas regiões de origem.

A artista reside em Goma, no norte de Kivu, onde o conflito molda sua produção. A família ajuda no ateliê improvisado ao lado da casa, em Kyeshero, enquanto a operadora segue trabalhando para clientes.

Entre os temas, aparecem cenas do Congo de 1961, com o assassinato de Patrice Lumumba, e episódios da era colonial, com o Force Publique. Atualmente, a obra também retrata a ofensiva do grupo M23.

O M23, apoiado por forças de países vizinhos, ocupou áreas de Goma em 2025. A insurgência gerou deslocamentos em massa e crise econômica, limitando o acesso de Kamusekera a novos materiais.

Em relatos, a artista descreve que há histórias que não pode publicar por temer pela própria vida. Ainda assim, afirma que manterá o registro histórico por meio de suas tapeçarias, para as gerações futuras.

A família acompanha o trabalho: a filha, os netos e uma bisneta ajudam na produção e na negociação com clientes. Divine Kyetia, a bisneta, participa anotando rascunhos de novas peças.

Kamusekera afirma que prefere permanecer em Goma para manter a transmissão de conhecimento. Mesmo diante da operação militar, ela mantém o ateliê aberto, buscando preservar memórias do Congo através da arte.

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