- Estratégia de contraterrorismo de 2026 coloca a América Latina como prioridade de segurança dos EUA, retomando elementos da Doutrina Monroe.
- Cartéis e gangues transnacionais passam a ser designados como Organizações Terroristas Estrangeiras, ampliando o uso de inteligência, operações especiais, sanções e ações militares.
- Fentanil ilícito e seus precursores químicos são classificados como armas de destruição em massa, elevando o combate às drogas ao nível da segurança nacional.
- O documento afirma que os EUA podem agir sozinhos para proteger cidadãos americanos caso governos locais não colaborem.
- O texto menciona relações e tensões com Venezuela, Colômbia, Cuba e Brasil, incluindo ações anteriores e debates sobre cooperação, sem classificar facções brasileiras como terroristas.
O governo dos EUA divulgou a Nova Estratégia Nacional de Contraterrorismo para 2026, anunciada pela Casa Branca. O documento reposiciona a América Latina como prioridade de segurança nacional e reaviva a Doutrina Monroe em versão contemporânea. O objetivo é ampliar o papel dos EUA na região e justificar ações militares quando necessário.
A estratégia amplia o conceito de terrorismo e classifica cartéis e facções transnacionais como ameaças equivalentes a grupos jihadistas. Washington passa a poder usar inteligência, operações especiais e sanções para agir contra organizações criminosas na região, inclusive sem parcerias locais.
O texto também estabelece que os EUA atuarão com governos locais quando estes estiverem dispostos a colaborar; caso contrário, poderão agir sozinhos para proteger cidadãos norte-americanos. A ideia é ampliar o leque de ações unilaterais no Hemisfério Ocidental.
Segundo o documento, Lucro ilícito e tráfico de drogas são enquadrados como ameaças existenciais. O texto cita o fentanil e seus precursores como itens de alto risco, elevando o tema ao topo da agenda de segurança nacional.
Na prática, o relatório redefine o papel dos Estados Unidos na região, com a América Latina descrita como área de disputa, contenção e demonstração de força militar. O objetivo é conter rivais estratégicos e reduzir fluxos ilícitos transnacionais.
O documento abre espaço para ações coordenadas com governos regionais, assim como operações isoladas quando necessário. A nova diretriz marca uma ruptura com o foco que predominou após os atentados de 11 de setembro de 2001.
Além disso, o texto associa organizações criminosas a governos considerados hostis por Washington. A relação visa justificar compromissos de cooperação militar, inteligência e sanções.
A estratégia já foi acompanhada de ações. Em 2025, a Casa Branca afirmou ter utilizado uma chamada “Operação Resolução Absoluta” para capturar autoridades venezuelanas ligadas ao tráfico. O episódio é citado como demonstração de aplicação prática da nova linha.
Entre os países da região, Maduro, Petro e Cuba aparecem citados como alvos de medidas e de diálogo, dependendo do contexto. A Casa Branca sinaliza abertura para negociações, desde que haja condições para cooperação.
O Brasil não aparece como destinatário direto da nova classificação, mas o tema ganhou relevância após conversas entre o presidente Lula e o então presidente Trump. Desde então, Brasil e EUA discutem cooperação contra crime transnacional e combate à lavagem de dinheiro.
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