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Guerras na Ucrânia e no Irã seriam parte de uma guerra mundial, diz professor

Poast afirma que guerras na Ucrânia e no Irã configuram uma guerra mundial, com impactos econômicos globais e risco de escalada

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  • O pesquisador Paul Poast diz que as guerras na Ucrânia e no Irã formam uma “guerra mundial” moderna, com duas grandes potências envolvidas em teatros diferentes e apoiando o adversário no conflito oposto.
  • Segundo ele, os EUA apoiam Ucrânia e a Rússia apoia o Irã, incluindo fornecimento de armas, inteligência e planejamento; o Irã também participou fornecendo drones para a Rússia.
  • O impacto econômico é global, com o Estreito de Ormuz fechado afetando o preço do petróleo mundial e repercutindo em gasolina, fertilizantes e produtos em várias regiões.
  • Poast aponta riscos de escalada, destacando que a China atua como facilitadora econômica para a Rússia, o que pode se tornar um ponto de inflexão se houver mudança nesse papel.
  • Sobre a teoria da guerra justa, ele afirma que o conflito não cumpre as condições de autodefesa, último recurso nem perspectiva real de sucesso, citando negociações diplomáticas em andamento antes de ações militares.

Paul Poast, professor de Relações Internacionais da Universidade de Chicago, disse à BBC News Brasil que o conflito entre EUA, Israel e Irã pode ser entendido como parte de uma guerra mundial em andamento. Segundo ele, duas grandes guerras simultâneas em continentes diferentes, com potências envolvidas diretamente, caracterizam esse cenário. Ele aponta que a Ucrânia e o Irã estão conectados por apoio recíproco entre os protagonistas.

Para Poast, os conflitos deixaram de ser paralelos e passaram a compor uma disputa global entre grandes potências. O efeito econômico é sentido no preço da gasolina, dos alimentos e na inflação, conforme o fechamento de rotas estratégicas no Golfo. O professor lembra que os EUA apoiam a Ucrânia e a Rússia apoia o Irã, com troca de apoio militar e tecnológico entre os lados opostos.

Poast também comenta a relação com a teoria da guerra justa. Segundo ele, a guerra no Irã não satisfaz as condições de autodefesa, nem representa último recurso, e não há consenso de sucesso estratégico. O pesquisador cita negociações diplomáticas em Omã antes do ataque americano como exemplo de que a diplomacia não havia se esgotado.

Contexto e definição de “guerra mundial”

O professor ressalta que, embora não haja devastação equivalente às guerras do século 20, o conjunto de ações simultâneas em múltiplos teatros cumpre critérios históricos do conceito. Ele cita o envolvimento de EUA no Irã e de Rússia na Ucrânia, além do apoio cruzado entre os conflitos.

Impactos econômicos e geopolítica

Poast aponta que o Estreito de Ormuz, passagem de cerca de 20% do petróleo mundial, influencia preços globais de combustíveis e insumos. A Rússia, por sua vez, consegue manter fluxos para China e outros países, o que complica a contensão do conflito e a estratégia de vitória da Ucrânia e de parceiros.

Fatores de envolvimento de outros países

Para o pesquisador, a China atua como facilitadora econômica, comprando energia e fornecendo tecnologia de uso duplo. A Coreia do Norte já aparece como potencial fornecedora de armamentos, elevando a preocupação com uma escalada maior.

Sobre a teoria da guerra justa

Poast explica que a guerra do Irã não cumpre as condições de autodefesa nem de último recurso, de acordo com a tradição da guerra justa. Ele cita negociações prévias ao ataque e identifica mudanças de objetivos entre diferentes administrações dos EUA como pontos de controvérsia que enfraqueceriam a justificativa ética.

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