- O cientista político Guilherme Casarões afirma que a crise Brasil–EUA não chegou a causar uma ruptura diplomática real, apenas aquecimentos no debate político.
- O momento mais crítico ocorreu em julho do ano passado, quando o governo americano anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e vinculou a medida a suposta perseguição a Bolsonaro e censura pelo STF.
- Além das tarifas, os EUA abriram investigações comerciais, restringiram vistos de autoridades brasileiras e aplicaram sanções contra Alexandre de Moraes; mesmo assim houve descompressão gradual das medidas.
- Casarões critica o tom alarmista da cobertura, citando episódios como a prisão de Ramagem e conflitos sobre vistos, que não resultaram em consequências extremas.
- O encontro entre Lula e Trump recente é visto como sinal de normalização, com comum interesse em manter uma relação estável, embora o imprevisível de Trump permaneça como variável.
O debate político brasileiro alimentou a leitura de que Brasil e EUA enfrentariam uma crise diplomática sem precedentes. Dados de especialistas indicam que essa percepção foi amplificada pela polarização e pela corrida eleitoral. Ainda assim, não houve ruptura nas relações bilaterais.
O cientista político Guilherme Casarões, da Florida International University, afirmou que os atritos recentes não chegaram a romper pontes estratégicas. O episódio mais intenso ocorreu após carta de julho, com tarifas de 50% e ligações entre a situação interna brasileira e acusações sobre o STF.
Casarões destacou que, além das tarifas, houve investigações comerciais, restrições de vistos e sanções por meio da Lei Magnitsky. Mesmo assim, o ritmo de novas medidas acabou freando a escalada.
A descompressão começou com negociações entre diplomatas e retiradas parciais de tarifas. Em seguida, ocorreram recuos em outras medidas da administração norte-americana, segundo o especialista.
O professor também criticou o tom alarmista na cobertura política brasileira. O episódio envolvendo a prisão de Ramagem pelo ICE foi citado como exemplo de exagero normalizado pela imprensa.
Para Casarões, a relação Brasil-EUA não funciona como parceria igualitária na percepção brasileira. Washington concentra prioridades próprias, com inflação, tensões no trumpismo e questões no Irã.
Ainda assim, ele avalia que o encontro recente entre Lula e Trump sinaliza uma normalização. Não há prenúncio de ruptura diplomática, afirma. O momento é de estabilidade relativa.
O pesquisador ressalta a imprevisibilidade de Trump como fator de incerteza permanente. Contudo, há interesse mútuo em manter diálogo e evitar atritos que comprometam a cooperação.
Casarões conclui que há disposição de ambos os lados em preservar um relacionamento estável. O governo brasileiro reforça a abertura ao diálogo, enquanto Washington tem interesse em manter boas relações com Brasília.
Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, é veiculado toda sexta-feira, às 5h, no YouTube e em plataformas de podcast. Fonte: InfoMoney.
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