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Bloqueio de fertilizantes em Hormuz pode agravar crise humanitária, afirma ONU

Organização das Nações Unidas alerta que bloqueio do estreito de Hormuz pode mergulhar até 45 milhões em fome se não for liberado em semanas

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  • Cerca de um terço da produção mundial de fertilizantes passa pelo estreito de Hormuz, que está bloqueado desde 28 de fevereiro.
  • O bloqueio reduziu o tráfego marítimo em cerca de 95%, afetando a chegada de fertilizantes a Brasil, China, Índia e países africanos.
  • O grupo de trabalho da ONU, liderado por Jorge Moreira da Silva, alerta que ainda há algumas semanas para evitar uma grave crise humanitária que pode colocar 45 milhões em fome.
  • A ONU criou, em março, um mecanismo para permitir a passagem de fertilizantes e matérias-primas, mas não conseguiu obter apoio suficiente de Estados Unidos, Irã e países do Golfo.
  • Se um acordo for alcançado, o mecanismo pode ficar operativo em sete dias; mesmo com a reabertura, pode levar pelo menos quatro meses para a situação se normalizar. Os preços de fertilizantes já subiram, elevando o risco de queda de produtividade e aumento de preços de alimentos.

A crise de fertilizantes em torno do Estreito de Hormuz pode agravar a fome mundial caso os carregamentos continuem bloqueados nas próximas semanas. A avaliação vem de Jorge Moreira da Silva, chefe do grupo de trabalho da ONU criado para evitar uma crise humanitária iminente. Ele atua como diretor-executivo do Unops, braço de serviços de projetos das Nações Unidas.

O envio de fertilizantes produzidos no Oriente Médio está paralisado desde 28 de fevereiro, quando começou o conflito entre EUA e Israel contra o Irã. A movimentação marítima na região caiu cerca de 95%, reduzindo consideravelmente a disponibilidade de insumos para agricultores em todo o mundo.

Cerca de um terço da produção global de fertilizantes passa pelo Estreito de Hormuz, com destinos que incluem Brasil, China, Índia e várias nações africanas. A continuidade do bloqueio eleva o risco de interrupções na cadeia de suprimentos e pressões sobre preços.

Segundo Moreira da Silva, há apenas algumas semanas para evitar uma crise de fome e desnutrição para dezenas de milhões de pessoas. Ele destacou que uma passagem diária de cinco navios carregados poderia mitigar, ao menos, parte dos impactos.

Em março, o secretário-geral da ONU criou o grupo de trabalho para viabilizar um mecanismo que permita a passagem de fertilizantes e matérias-primas correlatas, como amônia e ureia. O objetivo é facilitar acordos entre as partes envolvidas para manter o fluxo.

O líder do grupo informou ter participado de reuniões com representantes de mais de 100 países para angariar apoio ao mecanismo. No entanto, o esforço ainda não convenceu Estados Unidos, Irã e países do Golfo, que ainda não concordam com a forma de implementação.

Moreira da Silva ressaltou a urgência, citando a temporada de plantio em várias regiões, especialmente na África, que não pode esperar. Ele indicou que, caso haja acordo, o mecanismo pode começar a operar em até sete dias, mas a normalização completa pode levar até quatro meses.

Mesmo sem aumento imediato nos preços dos alimentos, houve elevação nos custos dos fertilizantes, according to especialistas. A expectativa é de que esse custo se traduza em menor produtividade agrícola e, consequentemente, maior pressão de preços no longo prazo.

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