- Conferência sobre transição de combustíveis fósseis ocorreu em Santa Marta, Colômbia, de 24 a 29 de abril de 2026, com 57 países representados e a União Europeia; EUA, China e Rússia não foram convidados.
- O objetivo foi desenvolver roteiros nacionais para terminar a dependência de combustíveis fósseis e lançar um novo painel científico para apoiar a transição.
- Também foram discutidas reformas do sistema financeiro e barreiras legais, incluindo o formato ISDS, que permite ações de investidores contra governos.
- O evento destacou que, em 2024, subsídios e apoio aos combustíveis fósseis somaram cerca de US$ 1,2 trilhão, ante US$ 254 bilhões para energia limpa.
- A próxima cúpula fica para Tuvalu em 2027; os organizadores enfatizaram a necessidade de ampliar a participação de mais atores e países, especialmente no Sul Global.
O Primeiro Conferência sobre a Transição de Combustíveis Fósseis, realizada em Santa Marta, Colômbia, entre 24 e 29 de abril, abriu espaço para avanços práticos na retirada do petróleo e do gás. O evento reuniu representantes de governos, comunidades indígenas e organizações ambientais, com foco em caminhos já acordados para reduzir dependência de combustíveis fósseis.
Diferente das tradicionais negociações da COP, o encontro permitiu contribuições diretas de ministros, stakeholders e povos originários. A pesquisa pública sobre subsídios aos fósseis contrapôs a urgência de financiar a transição para fontes limpas, servindo como base para futuras ações.
Foram 57 países representados, incluindo Brasil, Austrália, Canadá, Chile e Reino Unido, além da União Europeia. China, Rússia e Estados Unidos não foram convidados. O contexto envolve a significativa participação de países do Sul global na construção de roadmaps nacionais para encerrar a dependência de combustíveis fósseis.
Resultados e próximos passos
Colômbia e os Países Baixos apresentaram pontos-chave para a implementação, sem a criação de novas metas. O objetivo é detalhar como cada país pode avançar nos compromissos já assumidos sob acordos internacionais. Um painel científico foi lançado para apoiar esse processo com recomendações técnicas.
O painel, que reunirá entre 50 e 100 pesquisadores, funcionará de forma independente e produzirá relatórios anuais. O objetivo é oferecer suporte técnico aos roadmaps nacionais, complementando as contribuições previstas no Acordo de Paris.
Outra linha de ação envolve reformas no sistema financeiro para facilitar a retirada gradual dos combustíveis fósseis. O debate também abordou mecanismos de ISDS, com críticas sobre impactos aos governos na adoção de políticas de transição.
Observações sobre participação e omissões
Foi destacada a necessidade de maior envolvimento de companhias nacionais de petróleo nos debates, para viabilizar caminhos práticos de saída gradual. Além disso, observou-se a ausência de alguns dos maiores emissores globais, o que limitou a participação de certos polos energéticos.
Analistas afirmam que a conferência representa um marco, mas requer ampliação da cooperação envolvendo atores estratégicos, incluindo autoridades de segurança nacional e tomadores de decisão financeiros, para ampliar a efetividade dos planos.
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