- A Comissão de Concorrência da Índia abriu uma investigação formal contra a Pernod Ricard Índia por alegações de acordos exclusivos com retalhistas em Nova Délhi para favorecer suas marcas.
- O monitoramento envolve práticas desde 2021, quando a região de Délhi mudou de distribuição estatal para varejistas privados, retornando ao sistema anterior dois anos depois, em 2023.
- As acusações apontam que, em 2021, a Pernod Ricard forneceu garantias de €23 milhões a bancos para facilitar empréstimos a estoistas independentes, com a condição de que pelo menos 35% do estoque fosse de marcas Pernod Ricard.
- Em dezembro de 2024, a sede da Pernod Ricard em Hyderabad foi alvo de uma operação da autoridade antitruste, motivada por uma reclamação de 2022 da Radico Khaitan, concorrente no setor.
- A Pernod Ricard nega as acusações, afirma cooperação com as autoridades e enfrenta ainda um processo sobre uma cobrança fiscal federal de US$ 250 milhões relacionada ao valor de bebidas importadas.
Pernod Ricard enfrenta investigação antitruste formal na Índia sobre supostas garantias de exclusividade com varejistas em Nova Delhi para favorecer suas marcas. O caso amplia desafios regulatórios ao grupo francês no país.
A Comissão de Concorrência da Índia (CCI) ordenou apurar práticas ocorridas na região de Delhi, que passou de distribuição estatal de bebidas para varejistas privados em 2021 e voltou ao modelo anterior dois anos depois.
Desde 2024, a CCI acompanha alegações de lavagem de mão dupla entre Pernod Ricard e lojistas para ampliar participação no mercado, segundo apurações anteriores. O licenciamento para atuar na região ainda não foi renovado.
Contexto das acusações e medidas
A CCI aponta que a ausência de negociações com concorrentes pode distorcer a demanda e reduzir opções para o consumidor, citando um e-mail interno de 2021 sobre obter vantagem estratégica em Delhi.
Segundo a denúncia, Pernod Ricard teria garantias de 23 milhões de euros a bancos para facilitar empréstimos a atacadistas independentes, condicionando a oferta de pelo menos 35% de estoques às marcas da empresa.
O governo local registrou decisões adicionais sobre licenças e suspendeu temporariamente operações de Pernod Ricard na região, até a conclusão da apuração formal, conforme relatos da imprensa.
Reações e desdobramentos
A Pernod Ricard afirmou à Reuters que nega qualquer irregularidade, cooperará com as autoridades e mantém padrões de conformidade elevados. A empresa sustenta que o negócio na Índia representa menos de 5% de suas operações.
A companhia já havia iniciado uma sindicância interna, que apontou supostas violações por executivos sêniores com retailers em Nova Delhi, mas a empresa contesta a existência de falta de governança corporativa.
O caso se soma a outra disputa de grande vulto, envolvendo uma demanda fiscal federal nos EUA pelo valor de 250 milhões de dólares relacionada a bebidas importadas, ainda em curso.
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