- A agenda de reformas da Bolívia avança, mas de forma lenta, com foco em consolidação fiscal, câmbio mais flexível e nova estratégia de crescimento.
- O governo iniciou negociações com o Fundo Monetário Internacional, mas os progressos são parciais e o acordo está paralisado até o momento.
- Medidas paliativas vêm sustentando as obrigações de curto prazo, porém não restauram as reservas nem resolvem o desequilíbrio externo a longo prazo.
- O déficit fiscal não caiu conforme prometido; cortes orçamentários foram moderados e a arrecadação, sobretudo de hidrocarbonetos, tende a reduzir o espaço fiscal.
- O Fundo Monetário Internacional geralmente exige desvalorização e recapitalização fiscal, passos que a Bolívia tem relutado em adotar, enquanto a dívida externa permanece insustentável com vencimentos até 2030.
O governo da Bolívia avançou com a agenda de reformas, mas o ritmo permanece lento. O presidente Rodrigo Paz declarou estado de emergência em dezembro, citando problemas econômicos, financeiros, energéticos e sociais. A medida previa um pacote de estabilização, com foco em consolidar contas públicas, flexibilizar o câmbio e abrir espaço para o crescimento.
Desde a posse, o governo iniciou negociações com o FMI para um programa de US$ 3,3 bilhões. Até agora, os avanços são parciais, com ações restritas no ajuste fiscal e manutenção de uma taxa de câmbio estável. O andamento das tratativas ainda é considerado moroso.
A situação financeira externa é tensa. As reservas internacionais estão esgotadas há tempos e o déficit fiscal é elevado, o que aumenta a pressão sobre o equilíbrio das contas públicas. A dívida externa segue elevada, com vencimentos significativos até 2030.
Medidas e impactos
O governo tem usado medidas paliativas para cumprir obrigações de curto prazo. O banco central reduziu o uso de alguns instrumentos, enquanto houve troca de dívida que substituiu títulos em moeda estrangeira por locais, aliviando reservas, mas pressionando balanços nacionais.
Paz celebrou avanços iniciais ao eliminar subsídios de combustível, o que ajudou o setor energético e criou espaço fiscal. No entanto, o corte de gastos ficou aquém do prometido, reduzindo o déficit de 10% para 9% do PIB, sem impacto amplo nas receitas.
O FMI aponta que a principal fonte de receita, hidrocarbonetos, está em queda. A projeção é de queda adicional nos próximos anos, o que dificulta a consolidação fiscal sem reformas estruturais ou aumento de arrecadação.
Desafios e perspectivas
O governo não desvalorizou a moeda, apesar do alinhamento com a ideia de flexibilização cambial. O diferencial cambial tem aumentado, refletindo expectativas de ajustes futuros que ainda não ocorreram.
Para recuperar credibilidade externa, uma desvalorização coordenada e uma recapitalização fiscal, possivelmente com apoio do FMI, são apontadas como necessárias. As autoridades enfrentam resistência interna e externa a mudanças rápidas.
Estudos indicam que a dívida externa é insustentável sob o cenário atual de reservas e receita. A reestruturação de dívida bilateral e privada surge como requerimento para evitar default ou acesso restrito a financiamento.
Paz tem um mandato claro para reformas profundas, com foco em melhorar as contas públicas sem comprometer serviços essenciais. O ritmo das ações, no entanto, continua sendo o principal desafio para a recuperação econômica da Bolívia.
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