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Reunião entre Lula e Trump foi marcada por respeito mútuo, diz Durigan

Reunião de três horas entre Lula e Trump prioriza comércio, combate ao crime transnacional e minerais críticos, com integração receita e aduana prevista

Brasília (DF), 11/05/2026 - O ministro da Fazenda, Dario Durigan participa do programa, Na mesa com Datena, nos estúdios da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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  • Reunião de três horas entre Lula e Trump em Washington teve como cores o comércio, o combate ao crime organizado internacional e minerais estratégicos.
  • A conversa começou de forma informal, com relatos pessoais de Lula; Trump ficou impressionado com a infância do presidente e com a ausência de diploma universitário.
  • Trump reagiu à revelação de que Lula recusou prisão domiciliar para provar a inocência; os dois teriam se emocionado ao falar sobre os quase dois anos de cadeia de Lula.
  • No eixo comercial, o Brasil contestou a narrativa de prejuízo e afirmou que o déficit com os Estados Unidos em dois mil e vinte e cinco foi de US$ trinta bilhões, defendendo que não deveria haver tarifas.
  • Foi anunciada cooperação entre a Receita Federal brasileira e a aduana dos Estados Unidos para compartilhamento de inteligência e rastreamento financeiro, com foco em lavagem de dinheiro e origens de armas ilegais; discutiram-se minerais críticos como nióbio, grafeno e terras raras, com ênfase na soberania e na industrialização local.

O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump ocorreu na semana passada em Washington e teve duração de três horas. O ministro da Fazenda, Durigan, afirmou que a conversa foi marcada por deferência e respeito mútuo, com foco em cooperação entre Brasil e EUA.

Durigan participou da reunião e explicou que o diálogo começou de forma informal, explorando trajetórias pessoais de Lula e Trump. O ministro relatou que Trump ficou surpreso ao conhecer detalhes da infância de Lula e ficou impressionado com a ampliação da rede de universidades sem diploma universitário.

A conversa também abordou a prisão de Lula e a recusa de alternativas Jurídicas. Segundo Durigan, Trump reagiu com espanto ao relato de que o presidente brasileiro recusou prisão domiciliar para provar a inocência. Em tom emocional, Lula relatou os cerca de dois anos de cadeia.

Comércio e segurança

No eixo comercial, o governo brasileiro contestou a ideia de déficit para Washington, destacando que o Brasil importa serviços, tecnologia e produtos dos EUA em grande volume. Durigan ressaltou que o déficit de 2025 foi estimado em 30 bilhões de dólares, segundo dados americanos.

Também houve demanda por cooperação na luta contra o crime organizado transnacional, com foco em rastreamento de fluxos financeiros ligados a lavagens de dinheiro em paraísos fiscais e estruturas empresariais, como Delaware. O ministro afirmou que parte das armas apreendidas no Brasil tem origem nos EUA.

Drogas sintéticas e cooperação

Outro tema foi o avanço das drogas sintéticas, com o Brasil buscando reduzir o contrabando proveniente dos EUA. A operação integrada entre Receita Federal brasileira e aduana americana ficou acordada para facilitar o compartilhamento de inteligência e rastreamento financeiro.

Durigan enfatizou que o objetivo é asfixiar a engrenagem financeira do crime, por meio de cooperação internacional baseada em inteligência financeira.

Minerais estratégicos

A pauta incluiu ainda minerais críticos, como nióbio, grafeno e terras raras. O governo brasileiro apresentou a estratégia de oferecer segurança jurídica para incentivar industrialização local, em vez de dependência exclusiva de exportação de matéria-prima.

Lula reforçou a prioridade de soberania econômica aliada a um modelo de desenvolvimento nacional, buscando evitar ciclos históricos de extração sem ganhos internos.

Cenário global e clima institucional

A reunião abordou a guerra no Oriente Médio e seus impactos econômicos globais, com Lula destacando a importância de se preparar para eventos geopolíticos que afetem o Brasil. Durigan apontou o tema como um ponto central para a estratégia brasileira.

Integrantes da comitiva relataram momentos de descontração durante o almoço, incluindo um relato de troca de impressões sobre preferências alimentares de Trump. O ambiente, segundo o ministro, ajudou a abrir espaço para futuras negociações.

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