A Rússia anunciou nesta terça-feira (12) que realizou com sucesso o teste final do sistema de mísseis balísticos intercontinentais Sarmat, capaz de transportar ogivas nucleares e atingir mais de 35 mil quilômetros de alcance. O presidente Vladimir Putin afirmou que o armamento pode se mover em trajetória suborbital e classificou o sistema como “o mais […]
A Rússia anunciou nesta terça-feira (12) que realizou com sucesso o teste final do sistema de mísseis balísticos intercontinentais Sarmat, capaz de transportar ogivas nucleares e atingir mais de 35 mil quilômetros de alcance.
O presidente Vladimir Putin afirmou que o armamento pode se mover em trajetória suborbital e classificou o sistema como “o mais poderoso do mundo”. Segundo o comandante das Forças de Mísseis Estratégicos, Sergey Karakayev, a conclusão do teste permite que o míssil entre em operação até o final de 2026.
Alcance e capacidade nuclear
O Sarmat, conhecido na classificação da Otan como “Satan II”, será o substituto do Voyevoda, míssil que recebeu da aliança militar o apelido de “Satanás”.
O novo sistema também passou a ser chamado de “Satanás 2” por causa de seu alcance, velocidade e capacidade de superar sistemas de defesa antimísseis.
Putin afirmou que o Sarmat consegue percorrer mais de 35 mil quilômetros, distância superior ao trajeto entre Rússia e Argentina.
Segundo Moscou, o míssil pode viajar pelos dois polos e chegar à Europa em menos de dez minutos. O presidente russo também disse que o rendimento total da ogiva entregue é mais de quatro vezes maior do que o de qualquer equivalente ocidental existente.
De acordo com um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos, o míssil tem capacidade para transportar dez ou mais ogivas nucleares. Karakayev afirmou que o Sarmat supera o antecessor em alcance, carga útil, prontidão de lançamento e contramedidas, o que permitiria ao sistema ultrapassar defesas antimísseis existentes e futuras.
Contexto nuclear
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que o Sarmat é o míssil mais poderoso e com maior alcance de destruição de alvos do mundo, o que aumentaria o poder de combate das forças nucleares estratégicas do país. O sistema integra uma série de armamentos apresentados por Putin em 2018 como “invisíveis” aos sistemas de defesa modernos.
O teste ocorreu meses depois do fim do New START, último tratado entre Rússia e Estados Unidos que limitava os arsenais nucleares dos dois países. O acordo terminou em fevereiro e liberou formalmente as duas maiores potências nucleares do mundo de uma série de restrições.
O Kremlin informou ter notificado os Estados Unidos sobre o lançamento, de acordo com a agência estatal TASS. Moscou e Washington concordaram em restabelecer um diálogo militar de alto nível após o fim do New START, mas não há sinais imediatos de renovação ou prorrogação do tratado.
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