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Nobel da Paz diz que apoio russo à guerra é mentira

Dmitri Muratov afirma que o povo russo não é favor da guerra; jornalismo independente persiste na Rússia, mas enfrenta censura e maior risco

Foto: Bruna Arimathea/Estadão
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  • Dmitri Muratov, vencedor do Nobel da Paz de 2021, participou do São Paulo Innovation Week e afirmou que o mundo acredita, de forma enganosa, que os russos são a favor da guerra.
  • Em painel sobre coragem e liberdade, ele falou sobre os desafios do jornalismo independente na Rússia e afirmou que, embora haja restrições, ainda é possível informar, porém com mais riscos.
  • O país mantém censura e restrições à internet, obrigando cidadãos a usar VPNs para acessar plataformas proibidas.
  • Muratov destacou que a visão internacional de um povo russo unido a favor da guerra é enganosa e citou a censura militar instaurada desde o início da operação na Ucrânia.
  • A Novaya Gazeta perdeu sete jornalistas; dezenas permanecem presos e quase dois mil jornalistas foram obrigados a deixar o país, em meio a eleições antimilitaristas previstas, sob forte repressão à imprensa.

Dmitri Muratov, vencedor do Nobel da Paz em 2021, afirmou durante o São Paulo Innovation Week que o mundo erra ao dizer que os russos apoiam a guerra. Em uma declaração veiculada pela cobertura do Estadão, ele destacou que essa visão é incorreta e simplista.

O Nobel participou do painel Coragem e Liberdade: Histórias que Transformam, realizado no festival global de tecnologia e inovação, que segue até sexta-feira (15). O evento ocorre no Pacaembu e na FAAP, reunindo mais de 2 mil palestrantes de diversas áreas.

Após a palestra, Muratov afirmou à reportagem do Estadão que ainda é possível fazer jornalismo na Rússia, apesar das restrições. Ele mencionou censura na internet e a necessidade de VPNs para acessar plataformas proibidas no país.

A visão ocidental e a censura na Rússia

O prêmio Nobel destacou que o ocidente costuma ver a população russa como favorável à guerra, imagem que considera falsa. Ele acusa generalizações que desrespeitam a diversidade de opiniões no país.

O jornalista também citou o histórico do seu periódico, a Novaya Gazeta, que perdeu sete jornalistas e enfrentou medidas de censura desde o início da operação militar. Segundo Muratov, muitos profissionais foram presos ou forçados a emigrar.

Segundo ele, há dezenas de jornalistas presos na Rússia e muitos profissionais que trabalham no exterior tentam manter a produção de informações. Ele ressaltou que a liberdade de expressão não está assegurada no atual cenário russo.

Muratov afirmou que as eleições próximas na Rússia, com candidaturas antimilitaristas, enfrentam dificuldades porque a imprensa opera sob restrições legais severas e há ações de repressão contra dissidências.

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