- O Cardeal Víctor Manuel Fernández afirmou que as consagrações de bispos sem mandato papal pela Fraternidade São Pio X seriam um ato cismático, gerando excomunhão automática.
- A declaração cita a carta Ecclesia Dei de João Paulo II e lembra que a adesão formal ao cisma é grave ofensa a Deus, segundo a lei da Igreja.
- A FSSPX planeja realizar as consagrações em Écône, na Suíça, em 1º de julho, desafiando avisos do Vaticano.
- Cardeais críticos, como Gerhard Müller e Robert Sarah, além do arcebispo emérito de Hong Kong, Joseph Zen, pedem evitar o cisma.
- A data proposta coincide com o aniversário da excomunhão de Lefebvre, em 1988, por consagrar bispos sem autorização de Roma.
O Vaticano avisou que as consagrações episcopais promovidas pela Fraternidade São Pio X (FSSPX) sem mandato papal configuram cisma e implicam excomunhão automática. O alerta foi feito nesta semana pelo Cardeal Víctor Manuel Fernández, chefe do Dicastério para a Doutrina da Fé, em resposta às ações do grupo tradicionalista.
Fernández citou a carta Ecclesia Dei, de João Paulo II, e reforçou que a adesão formal ao cisma constitui grave ofensa a Deus, gerando a excomunhão prevista pela lei da Igreja. O cardeal afirmou que o Papa continua a rezar para que os líderes da FSSPX reconsiderem a decisão.
A FSSPX pretende realizar, em 1º de julho, no seminário internacional de Écône, na Suíça, novas ordenações de bispos sem aprovação de Roma. A data coincide com o aniversário de 1988, quando Lefebvre foi excomungado por ordenar quatro bispos sem autorização papal.
Contexto e desdobramentos
A decisão de prosseguir as consagrações foi confirmada em carta de 18 de fevereiro pelo superior da FSSPX, Padre Davide Pagliarani, após encontro com Fernández em 12 de fevereiro. O Vaticano propôs, naquele encontro, um diálogo teológico para evitar a ruptura eclesial.
A FSSPX é conhecida pela celebração exclusiva da Missa Tridentina e por divergências com reformas do Concílio Vaticano II, especialmente sobre liberdade religiosa e relação com outras religiões. O Vaticano mantém posição de diálogo, porém sem abrir mão da integridade da ordem e da comunhão com a Igreja.
Reações de figuras eclesiásticas foram de cautela. Cardeais Gerhard Müller e Robert Sarah criticaram a decisão. O arcebispo emérito de Hong Kong, Joseph Zen, pediu evitar o cisma a todo custo. A Fraternidade não respondeu de imediato a comentários solicitados pela reportagem.
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