- Durante o São Paulo Innovation Week, especialistas disseram que a internacionalização de startups brasileiras depende de mais do que dinheiro: é preciso melhorar a coordenação entre atores de inovação e a comunicação em inglês.
- Costa, da Finep, destacou que, em 2024, grandes países investiram bilhões de dólares em tecnologias quânticas, enquanto o Brasil investiu cerca de US$ 12 milhões.
- Matsumoto ressaltou que, além da barreira do inglês, há entraves legais: é preciso que a legislação de inovação “pegue” e funcione, citando o acordo Mercosul–União Europeia e seus mecanismos de compras públicas para inovação.
- Peles, da Anprotec, afirmou que é necessário aumentar o número de deep techs — tecnologias complexas — no Brasil, que hoje somam cerca de 800.
- Sobre medir a internacionalização, os especialistas consideram desafiador atribuir causas e efeitos a programas de inovação; indicadores como patentes ajudam, mas é preciso entender o impacto na produtividade e no valor agregado.
O que falta para o Brasil ter mais startups globais? Painel no São Paulo Innovation Week discutiu os principais entraves para a internacionalização de ecossistemas de inovação no país. Participaram especialistas brasileiros e representantes de instituições públicas.
O debate ocorreu durante o SPIW, o maior festival global de tecnologia e inovação, realizado em São Paulo até sexta-feira. O evento reúne mais de 2 mil palestrantes nacionais e internacionais em áreas diversas, com foco em políticas de inovação e internacionalização.
A mesa contou com Cristina Bando, do Sebrae; Rodrigo Costa, da Finep; Luís Peles, da Anprotec; e Carlos Matsumoto, do MCTI. Eles abordaram como a falta de coordenação entre atores, a dificuldade em inglês e a insegurança jurídica freiam a expansão de startups brasileiras para o exterior.
Desafios apontados
Segundo Costa, o problema vai além do investimento: envolve cultura, planejamento de longo prazo e capacidades de execução. A comparação internacional mostra lacunas em tecnologia quântica e valor agregado que o Brasil ainda não alcança.
Matsumoto destacou a dificuldade de fazer as leis de inovação funcionarem na prática. O quadro é agravado pela distância entre marco legal e sua operacionalização efetiva, especialmente em compras governamentais para inovação.
Casos e exemplos
O painel ressaltou o acordo Mercosul-UE, em vigor desde maio, que inclui cláusulas de compras públicas para inovação. O desafio foi convencer parceiros sobre a validade de instrumentos que privilegiam fornecimento nacional, conforme a aplicação das leis brasileiras.
Peles apontou a necessidade de ampliar o ecossistema de deep techs. O Brasil possui cerca de 800 startups com esse perfil, o que é considerado insuficiente para fins de competitividade global.
Como medir a internacionalização
Matsumoto destacou a dificuldade de mensurar impactos da internacionalização devido à diversidade de negócios. Costa afirmou que indicadores existem, mas é preciso interpretar se a inovação agrega valor e eleva o desenvolvimento tecnológico do país.
Conclusões operacionais ficam para autoridades e agentes do setor. O debate apontou que, sem coordenação e continuidade de políticas, avanços consistentes para levar startups brasileiras a mercados internacionais permanecem desafiadores.
Perspectivas
O SPIW segue até sexta com continuidade de debates entre setores público e privado. O tema da internacionalização permanece central para entender a transformação de startups nacionais em players globais, com políticas estáveis e investimentos consistentes.
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