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Como a China usa matérias-primas críticas como ferramenta geoeconômica

Estudo aponta que o controle chinês sobre matérias-primas críticas eleva custos e vulnerabilidade da Europa, com licenciamento visto como instrumento estratégico

Pessoas se reúnem na seção de produção de elementos de terras raras da exposição sobre as conquistas da manufatura chinesa, no Museu Nacional, em Pequim, China - 24/03/2026 (Foto: REUTERS/Maxim Shemetov)
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  • Estudo do European Union Institute for Security Studies afirma que a China transformou o controle de matérias-primas críticas em arma geoeconômica após tarifas impostas nos EUA em 2025, com volumes ainda abaixo do nível pré-controle.
  • A China domina 70% ou mais do refino ou da extração de metade dos 34 materiais considerados críticos pela UE, chegando a mais de 98% na produção de terras raras pesadas e gálio.
  • Esses insumos são essenciais para defesa, telecomunicações, semicondutores, energia renovável, mobilidade elétrica e equipamentos médicos, tornando a dependência europeia um vetor de vulnerabilidade.
  • O aparato regulatório chinês, especialmente o Ministério do Comércio, tem papel central na emissão de licenças de exportação de forma considerada invasiva e pouco transparente por empresas estrangeiras.
  • O relatório recomenda medidas combinadas de políticas industriais e defesa comercial pela Europa e parceiros (EUA, Japão), incluindo tarifas, salvaguardas e critérios de compras públicas, para reduzir a dependência e criar cadeias de suprimento mais resilientes.

Pequim reduziu abruptamente o fornecimento de matérias-primas críticas para países a partir de 2025, em resposta a tarifas impostas pelos EUA. O recuo afeta grande parte dos insumos usados em defesa, telecomunicações, semicondutores e energia renovável, mantendo volumes abaixo dos níveis pré-controle.

Estudo do EUISS detalha como a China utiliza o controle sobre terras raras, gálio e germânio para ganho estratégico. A dependência cria vulnerabilidade estrutural na Europa e em parceiros, com impactos em cadeias de produção e custos.

A força da China está no refino dessas matérias-primas, etapa com maior poder de mercado. EUA, Japão e UE dependem da China para produzir ímãs, wafers e cabos de fibra óptica, componentes centrais para tecnologia e indústria.

Aparato regulatório

A partir de 2025, novas rodadas de tarifas e controles de tecnologia ampliaram o peso do Ministério do Comércio chinês. Empresas estrangeiras relatam licenciamento invasivo para exportar materiais críticos, com exigências de dados de produção e aplicações.

Essa opacidade é apontada como fator crítico, com pedidos muitas vezes pendentes sem critérios previsíveis. A percepção é de uso político e estratégico das regras de comércio, segundo o estudo.

Política interna chinesa

Documentos oficiais de Pequim promovem autossuficiência tecnológica e industrial. O 15º Plano Quinquenal e o Livro Branco sobre segurança nacional reiteram o objetivo de reduzir dependência externa, mantendo a liderança em cadeias de suprimento críticas.

Reação comercial

Exportações com preços abaixo do mercado, aliadas a forte apoio estatal, ajudam a sustentar o crescimento interno. A Europa é orientada a reduzir rapidamente a dependência de cadeias dominadas pela China.

O estudo sugere que políticas de mineração, refino e reciclagem europeias, sozinhas, não bastam. Falta coordenação entre UE, EUA e Japão, o que fragiliza a resposta ocidental aessa dependência.

Medidas recomendadas

Até sugeridas tarifas amplas, salvaguardas e critérios de compras públicas para setores críticos. O objetivo é proteger indústrias usuárias e estimular alternativas de mineração e fabricação fora da China.

Essas políticas gerariam custo de curto prazo, mas, segundo o relatório, ofereceriam maior resiliência a choques futuros e reduziríam vulnerabilidades em cadeias de suprimento.

Conclusão do estudo

A dependência de terras raras, gálio e germânio exige visão estratégica de segurança econômica, coordenação entre aliados e uso firme de instrumentos comerciais. Sem isso, Pequim pode manter influência sobre decisões industriais globais.

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