- Estudo do European Union Institute for Security Studies afirma que a China transformou o controle de matérias-primas críticas em arma geoeconômica após tarifas impostas nos EUA em 2025, com volumes ainda abaixo do nível pré-controle.
- A China domina 70% ou mais do refino ou da extração de metade dos 34 materiais considerados críticos pela UE, chegando a mais de 98% na produção de terras raras pesadas e gálio.
- Esses insumos são essenciais para defesa, telecomunicações, semicondutores, energia renovável, mobilidade elétrica e equipamentos médicos, tornando a dependência europeia um vetor de vulnerabilidade.
- O aparato regulatório chinês, especialmente o Ministério do Comércio, tem papel central na emissão de licenças de exportação de forma considerada invasiva e pouco transparente por empresas estrangeiras.
- O relatório recomenda medidas combinadas de políticas industriais e defesa comercial pela Europa e parceiros (EUA, Japão), incluindo tarifas, salvaguardas e critérios de compras públicas, para reduzir a dependência e criar cadeias de suprimento mais resilientes.
Pequim reduziu abruptamente o fornecimento de matérias-primas críticas para países a partir de 2025, em resposta a tarifas impostas pelos EUA. O recuo afeta grande parte dos insumos usados em defesa, telecomunicações, semicondutores e energia renovável, mantendo volumes abaixo dos níveis pré-controle.
Estudo do EUISS detalha como a China utiliza o controle sobre terras raras, gálio e germânio para ganho estratégico. A dependência cria vulnerabilidade estrutural na Europa e em parceiros, com impactos em cadeias de produção e custos.
A força da China está no refino dessas matérias-primas, etapa com maior poder de mercado. EUA, Japão e UE dependem da China para produzir ímãs, wafers e cabos de fibra óptica, componentes centrais para tecnologia e indústria.
Aparato regulatório
A partir de 2025, novas rodadas de tarifas e controles de tecnologia ampliaram o peso do Ministério do Comércio chinês. Empresas estrangeiras relatam licenciamento invasivo para exportar materiais críticos, com exigências de dados de produção e aplicações.
Essa opacidade é apontada como fator crítico, com pedidos muitas vezes pendentes sem critérios previsíveis. A percepção é de uso político e estratégico das regras de comércio, segundo o estudo.
Política interna chinesa
Documentos oficiais de Pequim promovem autossuficiência tecnológica e industrial. O 15º Plano Quinquenal e o Livro Branco sobre segurança nacional reiteram o objetivo de reduzir dependência externa, mantendo a liderança em cadeias de suprimento críticas.
Reação comercial
Exportações com preços abaixo do mercado, aliadas a forte apoio estatal, ajudam a sustentar o crescimento interno. A Europa é orientada a reduzir rapidamente a dependência de cadeias dominadas pela China.
O estudo sugere que políticas de mineração, refino e reciclagem europeias, sozinhas, não bastam. Falta coordenação entre UE, EUA e Japão, o que fragiliza a resposta ocidental aessa dependência.
Medidas recomendadas
Até sugeridas tarifas amplas, salvaguardas e critérios de compras públicas para setores críticos. O objetivo é proteger indústrias usuárias e estimular alternativas de mineração e fabricação fora da China.
Essas políticas gerariam custo de curto prazo, mas, segundo o relatório, ofereceriam maior resiliência a choques futuros e reduziríam vulnerabilidades em cadeias de suprimento.
Conclusão do estudo
A dependência de terras raras, gálio e germânio exige visão estratégica de segurança econômica, coordenação entre aliados e uso firme de instrumentos comerciais. Sem isso, Pequim pode manter influência sobre decisões industriais globais.
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