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Brasil não converte liderança em renováveis em imagem global, aponta estudo

Brasil lidera em renováveis, mas pesquisa aponta que o setor de energia tem a pior imagem externa, com falha de storytelling e contradições ambientais

Segundo a pesquisa, “o Brasil é líder em renováveis, mas o setor tem a pior imagem externa (5,82)” e o país “não converte liderança verde em storytelling estratégico”
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  • A Marca Brasil indica que, apesar de a matriz elétrica brasileira ser amplamente renovável, o país não converte essa liderança em reputação global no setor de energia.
  • O estudo OnStrategy entrevistou 192.400 brasileiros e 278.200 estrangeiros entre outubro de 2025 e março de 2026.
  • A pesquisa aponta atributos fortes do Brasil, como beleza natural e cultura, mas dificuldade em transformar isso em narrativa internacional.
  • O setor de energia e tecnologia aparece com a pior imagem externa entre os avaliados, com nota de 5,82.
  • Especialistas ressaltam contradições entre o potencial renovável do país e decisões ambientais recentes, além de falhas na comunicação estratégica que afetam a percepção global.

O Brasil, pese ter uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, não conseguiu transformar essa vantagem em reputação global no setor de energia. A conclusão vem de um estudo internacional sobre a Marca Brasil, elaborado pela consultoria OnStrategy.

A pesquisa aponta que energia e tecnologia são os segmentos com a pior imagem externa entre os avaliados. Foram ouvidos 192.400 brasileiros e 278.200 estrangeiros entre outubro de 2025 e março de 2026, em levantamento online.

Segundo o estudo, o Brasil é visto como líder em renováveis, mas essa liderança não se converte em storytelling estratégico, prejudicando a percepção global do setor. A análise destaca um descompasso entre potencial técnico e comunicação internacional.

Descompasso entre potencial e percepção

Para Erik Rego, professor da USP, a avaliação pode refletir decisões ambientais recentes. Ele cita críticas a pautas ligadas ao petróleo, sobretudo pela defesa de exploração na bacia da Foz do Amazonas, em fóruns ambientais.

O professor também destaca o leilão de energia recente, no qual o Brasil contratou térmicas a carvão, enquanto economias desenvolvidas avançam para armazenamento em baterias. Isso alimenta contradições entre narrativas e ações.

De acordo com Rego, a posição privilegiada do Brasil em energia limpa aumenta o peso da reputação. O mundo espera que o país lidere pautas renováveis, o que não ocorre de forma efetiva na comunicação externa.

Ponto de vista de especialistas

Luiz Barroso, CEO da PSR, diz que a visão internacional depende do observador. Ele afirma que o Brasil ainda desperta grande interesse global, pela área de energia e pelos modelos de mercado, mas falha em comunicar seus diferenciais.

Alexandre Viana, CEO da Envol, concorda: o país tem dados técnicos fortes, mas enfrenta apagamento da narrativa externa. Para ele, o desafio não é a substância, e sim a forma de contar os diferenciais ao exterior.

A Marca Brasil aponta ainda que o Brasil mantém forte exposição em temas de sustentabilidade, porém não consolida uma narrativa que gere ganhos de reputação prática. A pesquisa reforça a necessidade de estratégias de comunicação mais eficientes.

O que muda para política e economia

Especialistas afirmam que a percepção global pode influenciar investimentos, parcerias e credibilidade em negociações internacionais. A pesquisa sugere que o Brasil precisa alinhar comunicação, políticas ambientais e estratégias de marketing institucional.

A análise indica que o Brasil, embora reconhecido por qualidade de recursos naturais e inovação, ainda não traduz esse ativo em vantagem competitiva clara no exterior. A reportagem continua acompanhando desdobramentos da pesquisa e suas implicações.

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