- Brasil precisa definir objetivos estratégicos para se beneficiar da economia global impulsionada pela inteligência artificial, segundo especialistas ouvidos no São Paulo Innovation Week (SPIW).
- Painel “A corrida do século: a disputa tecnológica entre EUA e China” destacou que o país tem relações relevantes com as duas potências, mas ainda carece de um alinhamento claro para aproveitar oportunidades.
- As terras raras foram apontadas como tema central: a China processa grande parte do refino desses minerais críticos, o que impacta a cadeia de chips e data centers; Brasil, Austrália e Vietnã possuem reservas, mas dependem do refino chinês.
- Também foi discutido o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, com foco em Taiwan e no papel da Taiwan na oferta de semicondutores para o mercado global.
- O São Paulo Innovation Week, maior festival de tecnologia e inovação, ocorre até esta sexta-feira, 15, com mais de dois mil palestrantes e programação gratuita nos CEUs da cidade no fim de semana.
O Brasil precisa definir objetivos estratégicos para se beneficiar da economia global impulsionada pela IA. A afirmação foi feita por Alexandre Ramos Coelho, professor da FAAP e da FESPSP, e Aline Sordili, colunista do UOL, durante o painel A corrida do século no SPIW.
O debate ocorreu nesta sexta-feira, 15, no São Paulo Innovation Week. Os especialistas destacaram que o Brasil mantém relações importantes com EUA e China, as duas potências que lideram o desenvolvimento da IA, tornando difícil escolher um lado.
Para eles, o Brasil tem oportunidades de crescimento com a disputa global, desde que determine prioridades claras. Sem objetivos definidos, o país não aproveitará plenamente as vantagens da nova economia.
Terias raras foram mencionadas como gargalo: a China processa 85% do refino global de minerais críticos para IA, mas não domina as reservas. Brasil, Austrália e Vietnã possuem reservas, mas dependem do refino chinês.
Encontro de Trump com Xi na China
Aline e Coelho comentaram o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, nesta semana, em território chinês. A pauta sobre Taiwan foi destacada como o ponto central da conversa, refletindo a interdependência tecnológica entre EUA e China, especialmente no mercado de chips.
Segundo eles, Taiwan é decisiva para a produção de chips de IA. A NVIDIA depende da TSMC, que fabrica componentes de alto valor agregado. A tensão sobre Taiwan influencia o cenário global de tecnologia.
A discussão sobre Taiwan evidencia como a geopolítica impacta a cadeia de suprimentos de semicondutores e, por consequência, a posição de países como Brasil, que dependem desses insumos para sua indústria de IA.
São Paulo Innovation Week
O SPIW, maior festival de tecnologia e inovação do país, segue até esta sexta-feira, 15. O evento reúne mais de 2 mil palestrantes, nacionais e internacionais, em temas que vão de ciência a economia, passando por saúde, educação e geopolítica.
Entre os participantes, há especialistas em diversas áreas, incluindo mobilidade, finanças e sustentabilidade. Paralelamente, ocorrem side events gratuitos em quatro CEUs da capital paulista, com programação aberta à população.
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