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Conselho da Europa adota leitura de direitos imigrantes que facilita deportações

Nova interpretação da Convenção Europeia de Direitos Humanos pode facilitar deportações de imigrantes, gerando críticas por suposto enfraquecimento de proteções básicas

A bandeira da União Europeia tremula na sede da UE em Bruxelas
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  • Ministros do Conselho da Europa adotaram uma nova interpretação da Convenção Europeia de Direitos Humanos, que pode facilitar deportações de imigrantes, inclusive para centros de repatriação em outros países.
  • A mudança foca nos artigos três (proibição de tortura e tratamento desumano ou degradante) e oito (direito à vida privada e familiar), mantendo que a proibição de tortura é absoluta, mas permitindo avaliação relativa do tratamento desumano conforme o caso.
  • A medida autoriza cooperação com países fora da União Europeia em questões migratórias, incluindo centros de retorno, desde que respeitem a Convenção de Direitos Humanos.
  • Países da UE precisariam fechar acordos com Estados não membros para implementar esses centros de retorno.
  • Críticas apontam que a interpretação pode marcar enfraquecimento de proteções, com especialistas destacando inconsistência entre a ideia de absoluta a proibição de tortura e elementos de relativização. O secretário-geral do Conselho da Europa celebra o alinhamento entre países para lidar com migração.

O Conselho da Europa adotou nesta sexta-feira 15 uma nova interpretação da Convenção Europeia de Direitos Humanos que pode facilitar algumas deportações de imigrantes. A medida foi anunciada durante a sessão anual do Comitê de Ministros realizada na Moldávia.

A mudança envolve os artigos 3 e 8 da Convenção. O primeiro trata da proibição de tortura e de tratamentos desumanos ou degradantes, e o segundo, do direito à vida privada e familiar. A declaração autoriza cooperação com países fora da UE em questões migratórias, incluindo centros de retorno, desde que respeitem a Convenção.

Segundo o texto, os centros de retorno seriam locais de reunião de migrantes antes da transferência. Países terceiros não pertencentes à UE poderiam firmar acordos com os membros da aliança para operá-los. A UE não criaria esses centros, cabendo aos Estados membros implementá-los.

Estritamente, a proibição da tortura permanece absoluta, mas a declaração define que a avaliação do grau de gravidade de maus-tratos pode depender das circunstâncias do caso. Análise que críticos veem como flexibilização de proteções básicas.

Americanos e europeus apontam que a nova leitura pode reduzir salvaguardas previstas pela Corte Europeia. Diversos especialistas destacam que a interpretação relativa do Artigo 3 conflitaria com a ideia de um direito absolutamente proibitivo.

Mudança de tema: reação e contexto regional

Representantes de Estados-membros afirmam que a medida busca enfrentar desafios migratórios de forma coordenada. O secretário-geral do Conselho, Alain Berset, ressaltou que a adesão de países com visões diferentes reforça uma posição comum para o funcionamento do sistema.

Entidades de direitos humanos, entretanto, criticam a interpretação. Observadores destacam riscos de restrições a direitos fundamentais em cenários de expulsões para terceiros países. A declaração foi recebida com cautela por organizações que acompanham a política migratória.

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