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Leopardos persas ameaçados persistem além das fronteiras, apesar de minas

Leopardo persa de três patas cruza fronteiras na Caucaso, evidenciando fragilidade de conectividade de habitat e o papel de minas e conflitos na conservação

A captive Persian leopard in a British zoo, 2005.
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  • Aren, um leopardo persa com três patas, foi visto em setembro de 2025 no Parque Nacional Algeti, na Geórgia, marcando a primeira aparição na região em cerca de 20 anos.
  • O animal já cruzou pelo menos 250 quilômetros entre Armênia e Geórgia, destacando a necessidade de conectividade entre habitats transfronteiriços.
  • OPanthera pardus tulliana é classificado como ameaçado, com a população global estimada entre 750 e 1.044 indivíduos, enfrentando caça, perda de hábitat e ameaças como minas terrestres e armadilhas.
  • Minas e armadilhas de metal, comuns em zonas de fronteira, causam ferimentos e mortalidade em leopardos, o que prejudica a sobrevivência e a reprodução da espécie.
  • Organizações de conservação, como NACRES e WWF, apontam a importância de corredores ecológicos transfronteiriços e de remover minas, apesar de limitações de financiamento e de lembranças administrativas na Geórgia.

Bejan Lortkipanidze, biólogo e conservationista, recebeu em setembro um vídeo de Zurab Gurielidze, diretor do Zoológico de Tbilisi. A gravação mostra uma cerca alta com arame farpado, onde surge um leopardo pantera pardus tulliana. O registro é uma das apenas algumas avistagens em 20 anos no sul do Cáucaso.

O material não foi de uma armadilha fotográfica, mas de câmeras de vigilância de um recinto de reprodução de cervídeos caucasianos em Algeti National Park, a uma hora de Tbilisi. Em poucos minutos, o felino aparece, chamando a atenção da comunidade de conservação.

Kochiashvili, biólogo da WWF Cáucaso, confirmou o envio do vídeo a Sergo Tabagari, responsável pela checagem de filmagens no portal da Agência Nacional de Vida Selvagem da Geórgia. A descoberta acendeu o alerta sobre a presença de um leopardo persa em Georgia.

Aren, como foi batizado, é um macho com três patas. O animal já percorreu ao menos duas fronteiras internacionais, destacando o papel das margens geográficas na sobrevivência da espécie.

Um felino de destaque

Aren recebeu o apelido por nascer próximo à vila Areni, na Armênia, onde foi visto pela primeira vez em 2019. Naquele ano, os guardas flagraram o leopardo ainda com quatro membros. Mais tarde, perdeu a parte inferior da pata dianteira esquerda, possivelmente por culpa de uma mina terrestre.

O macho é um indivíduo longevo entre os leopardos persas, uma subespécie criticamente ameaçada, com estimativa populacional entre 750 e 1.044 indivíduos no mundo, segundo a IUCN. Aren tem desvio no retorno natural entre territórios, ampliando o interesse de cientistas.

Há relatos de que, ao longo dos anos, Aren atravessou mais de 250 km entre Armênia, Geórgia e outros territórios, em trajetos incomuns para um felino com limitações físicas.Especialistas ressaltam que dispersão é crucial para manter a conectividade genética entre populações.

Desafios de conservação

A presença de leopardo em áreas de fronteira revela que a conectividade de habitats é essencial para a sobrevivência da espécie, especialmente em regiões de baixíssima densidade populacional. A caça, a redução de presas, minas terrestres e ferimentos causados por armadilhas representam riscos graves.

Minas terrestres e armadilhas colocadas para caça de javalis ou raposas também afetam leopardos na região do Cáucaso. Estudos apontam que danos a membros comprometem a caça, a locomoção e a defesa de territórios, reduzindo a viabilidade de longo prazo.

A gestão de áreas de fronteira entre Irã, Azerbaijão e Geórgia tende a complicar a proteção de espécies migratórias. O uso de cercas, muros e zonas militarizadas prejudica a movimentação dos leopardo e de suas presas, aumentando o isolamento de populações.

Esforços de proteção

A NACRES, Centro para a Recuperação de Espécies Ameaçadas, atua há décadas na Geórgia, mas vem enfrentando cortes de financiamento internacionais após mudanças legais locais. Hoje, a organização opera com uma equipe reduzida, sem perder o foco em monitoramento de fauna.

A WWF e parceiros mantêm câmeras-trap em Algeti e áreas vizinhas, registrando cervídeos, javalis, linces, felinos e lobos. A presença de Aren não se confirmou desde setembro de 2025; há indícios de deslocamento em direção à Turquia.

Especialistas destacam que a proteção de guardas florestais, com infraestrutura de monitoramento adequada, está ligada à melhoria na proteção de espécies. A conectividade entre habitats continua sendo prioridade para a conservação de leopardos persas.

Perspectivas para o futuro

Comentários de especialistas ressaltam que leopardaagens dependem de rotas de migração livres de barreiras. A presença de controvérsias políticas e zonas de conflito agrava o desafio de cooperação internacional.

Leopardos, por sua natureza, utilizam corredores de cristas e trilhas. A sobrevivência depende de conectividade entre ecossistemas, bem como do manejo de conflitos com atividades humanas na zona fronteiriça.

Aren continua sendo uma presença simbólica de que a conservação precisa de apoio contínuo, para que a paisagem regional permita movimentos naturais de predadores e suas presas, independentemente de fronteiras políticas.

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