- Minerais críticos como terras raras, lítio, nióbio e grafite ganharam protagonismo em reuniões entre China, EUA e Brasil, com o Brasil buscando transformar reservas em investimentos e tecnologia.
- O Brasil dispõe de reservas relevantes de terras raras, nióbio, lítio e grafite, respondendo por cerca de 23% das reservas mundiais, mas ainda processa pouco o material.
- A China domina o processamento global desses minerais, exercendo influência significativa sobre cadeias de suprimento e políticas externas.
- Os Estados Unidos buscam diversificar suas cadeias de fornecimento e reduzir a dependência da China, vendo o Brasil como parceiro estratégico fora da órbita chinesa.
- Em maio de dois mil e vinte e seis, o Brasil aprovou na Câmara projeto para regulamentar a exploração de minerais estratégicos, enquanto Lula enfatizou, em Washington, que o país não tem preferência por nenhum parceiro, buscando cooperação com múltiplos países.
Os minerais críticos, como terras raras, lítio, nióbio e grafite, ganharam destaque estratégico no cenário global. O Brasil passou a figurar como peça-chave em um tabuleiro que envolve Washington e Pequim, com o objetivo de ampliar investimentos, transferência de tecnologia e o protagonismo geopolítico brasileiro.
Em 7 de maio de 2026, o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente brasileiro, Lula, abriu o foco para uma possível redução da dependência brasileira de insumos chineses. Uma semana depois, a visita de Trump a Pequim reacendeu as negociações entre as duas maiores economias.
Para analistas, os minerais críticos fortalecem alianças econômicas, mas também elevam tensões diplomáticas. O controle da cadeia de valor – desde mineração, até refino e tecnologia – passa a nortear disputas estratégicas entre países.
Brasil: reservas relevantes e desafio de agregar valor. O país detém parte importante das reservas de terras raras, nióbio, lítio e grafite, mas ainda processa pouco. A meta é ampliar o papel além da exportação de minério bruto e estimular transformar no território nacional.
China: domínio do processamento e uso como ferramenta diplomática. A China lidera o processamento global e utiliza as terras raras como instrumento de política externa, com impactos sobre exportação e tarifas. O controle da cadeia produtiva é visto como vantagem econômica de longo prazo.
Estados Unidos: busca por cadeias de abastecimento diversificadas. O país depende de importação de materiais processados na China e procura reduzir vulnerabilidades estratégicas. Projetos com o Brasil são analisados como parte de uma estratégia para ampliar parceiros fora da esfera chinesa.
Tendências e desdobramentos
A liderança chinesa no processamento é considerada um ponto crítico para economias da Europa e América do Norte. Dados da IEA indicam participação dominante do país na maioria dos minerais estratégicos analisados.
Em abril de 2025, Pequim impôs licenças de exportação para terras raras e ímãs industriais, impactando montadoras, semicondutores e defesa. A reação foi diplomática: Trump e Xi conversaram por cerca de 90 minutos, resultando em licenças temporárias para parte dos pedidos americanos.
Nos debates internacionais, representantes de G7, Índia, Coreia do Sul e Austrália discutiram maneiras de reduzir a dependência do processamento chinês. Durante a recente visita de Trump a Pequim, o tema permaneceu central nas negociações para assegurar fornecimento estável de minerais críticos.
Brasil no centro da disputa econômica
A China busca garantir continuidade de abastecimento para sua indústria, enquanto os EUA tentam diversificar as cadeias de suprimento. O Brasil, com cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, está posicionado como parceiro relevante para diferentes blocos internacionais.
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto para regulamentar a exploração de minerais estratégicos e fomentar a transformação mineral no país. O tema foi seguido por Lula, que disse não ter preferência por parceiros e sinalizou disposição para diálogo com várias nações.
Para especialistas, o Brasil pode manter equilíbrio estratégico sem romper com a China, desde que haja contrapartidas como transferência de tecnologia, instalação de plantas industriais e agregação de valor local.
Cooperação e conflito
Especialistas apontam que os minerais raros fortalecem a interdependência econômica entre Brasil, China e EUA, ao mesmo tempo em que colocam soberania e dependência externa em foco. A discussão envolve ainda aspectos de direito internacional, regulação econômica e meio ambiente.
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