- A Nova Zelândia, país de pouco mais de cinco milhões de habitantes, é vista pela China como alvo-chave da “diplomacia de periferia” para ampliar influência geopolítica.
- O país funciona como porta de entrada para o sistema econômico ocidental, com vínculos importantes em áreas como tecnologia, ciência polar e alianças de inteligência.
- Está integrado a alianças como Five Eyes e aproxima-se de tecnologias do AUKUS, além de manter laços com a OTAN e participar de acordos de defesa regional (FPDA).
- Nos últimos anos, houve mudança na postura de Wellington diante de Pequim, com aumento de cautela, fortalecimento da defesa e resposta firme a atividades chinesas.
- Em 2025, o governo anunciou plano de defesa de 12 bilhões de dólares neozelandeses e reforçou parcerias estratégicas para conter a influência chinesa no Pacífico.
A Nova Zelândia, com pouco mais de 5 milhões de habitantes e território de cerca de 100 mil milhas quadradas, passou a ser vista como peça-chave na estratégia chinesa de influência no Pacífico. Pequim busca estabelecer parcerias para ampliar sua posição geopolítica por meio da chamada diplomacia de periferia.
O país é apresentado pela China como porta de entrada ao sistema econômico ocidental. Entre as relações destacadas pelo governo chinês estão o histórico de negociações bilaterais na OMC, o reconhecimento da China como economia de mercado, e passos para acordos de livre comércio. Dados apontam para uma relação econômica robusta, mas o contexto vai além do comércio.
A pesquisadora Anne-Marie Brady, em estudo de 2020, aponta que a Nova Zelândia abriga empresas de alta tecnologia e cientistas de ponta, integra o grupo Five Eyes e coopera com a OTAN, além de ser próxima à Antártida. Esses fatores são relevantes para a China no interesse em recursos polares, satélites BeiDou e acesso a tecnologias ocidentais.
Aliança estratégica e presença internacional
A Nova Zelândia funciona como elo central no Five Eyes, ao lado de EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália, fortalecendo cooperação em inteligência. O país mantém laços militares com os EUA e abriga centros de vigilância espacial em Auckland, com financiamento norte-americano.
Além disso, a nação participa de iniciativas de compartilhamento tecnológico avançado previstas no Pilar Dois do AUKUS e integra o grupo AP4, com Japão, Coreia do Sul e Austrália. Também faz parte de acordos do FPDA com o Reino Unido, Austrália, Malásia e Singapura.
Mudanças na postura frente à China
Historicamente, a Nova Zelândia adotou posição aberta à China. Nos últimos anos, porém, houve reorientação diante de ações chinesas mais agressivas, como interferência e ciberataques. Em 2023, autoridades classificaram o regime chinês como um dos principais riscos à segurança nacional.
Em 2025, Wellington anunciou um plano de modernização da defesa de 12 bilhões de dólares neozelandeses, elevando o gasto militar para acima de 2% do PIB. O objetivo é fortalecer a capacidade de defesa do país e reduzir vulnerabilidades frente a ameaças externas.
Tensões e respostas diplomáticas
Em 2025, Ilhas Cook firmaram acordos com Pequim sem consulta prévia. A Nova Zelândia suspendeu a ajuda e assinou nova declaração de defesa com o arquipélago, reafirmando-se como parceiro estratégico. Em abril, uma aeronave da Força de Defesa da Nova Zelândia foi acusada pela China de reconhecimento no Mar Amarelo; Wellington afirmou que a missão integrava monitoramento de sanções da ONU.
Perspectivas e equilíbrio estratégico
Apesar da importância econômica da China para a Nova Zelândia, o país busca equilibrar laços comerciais com o fortalecimento de alianças com os EUA e parceiros regionais. A diversificação econômica aparece como caminho para reduzir vulnerabilidades frente à influência chinesa no Pacífico.
Fonte: The Epoch Times. Original em inglês: New Zealand: A Small Country But a Major Player Against China’s Coercion in South Pacific.
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