- Um projeto de lei apresentado em Mianmar propõe pena de morte para quem sequestrar ou coagir pessoas a trabalhar em centros de golpes online.
- A medida também prevê prisão perpétua para gerentes de fábricas de golpes e autores de fraudes com criptomoedas.
- Os centros de golpes, que começaram a crescer em mil e vinte e um, utilizam trabalho forçado e têm trabalhadores de vários países, incluindo muitos migrantes.
- Segundo o FBI, as centrais de fraudes online de Mianmar teriam gerado mais de US$ vinte bilhões no ano passado.
- O parlamento deve votar o projeto no início de junho; pelo menos dois brasileiros teriam sido forçados a trabalhar nessas instalações.
Um novo projeto de lei apresentado em Mianmar, na quinta-feira (14), propõe a pena de morte para quem sequestrar ou coagir pessoas a trabalhar em centros de golpes online. As chamadas “fábricas” de fraude operam no país do sudeste asiático e miram alvos em todo o mundo.
O texto também prevê prisão perpétua para gerentes de instalações e autores de fraudes com criptomoedas. A proposta é a primeira do governo liderado pelo general Min Aung Hlaing, que assumiu o poder no mês passado.
Esquema bilionário
Essas centrais de golpes surgiram por volta de 2021, no contexto da violência civil em Mianmar. Milhares de pessoas trabalham nelas, incluindo muitas vítimas de tráfico humano. A prática inclui golpes românticos e fraudes com criptomoedas.
Segundo reportagens, as fábricas geram grandes receitas, com estimativas do FBI indicando mais de US$ 20 bilhões no ano anterior. O esquema envolve uso de trabalho forçado e manipulação de vítimas estrangeiras.
No texto do projeto, também está prevista a criação de um comitê para cooperação internacional no combate às atividades ilícitas na internet, dada a presença de vítimas de diversos países.
A votação no parlamento de Mianmar deve ocorrer no início de junho. Pelo menos dois brasileiros estavam entre as pessoas forçadas a trabalhar nessas centrais, conforme relatos anteriores.
Entre na conversa da comunidade