- Dan Wang, pesquisador ligado à Universidade Stanford, lança no Brasil em agosto o livro Breakneck: China’s quest to engineer the future, que oferece a visão de que a China funciona como um “Estado engenheiro” e os EUA como uma “sociedade de advogados”.
- Wang afirma que a China prioriza infraestrutura e planejamento de longo prazo, enquanto os Estados Unidos tendem a bloquear mudanças, o que molda a nova ordem geopolítica mundial.
- O autor destaca o uso de tarifas pelos EUA e a resposta chinesa usando componentes críticos para citar o papel estratégico da China na cadeia de suprimentos global.
- Segundo ele, a China tem vantagens industriais por meio de uma cadeia de produção próxima e aprendizado contínuo, o que difere do modelo americano centrado em inovação e serviços.
- O livro discute políticas industriais, desindustrialização, reindustrialização, e o Brasil, apontando caminhos para não ficar preso a apenas extrativismo, com a China sendo comparada a uma Alemanha Oriental ampliada pela maior escala e controle.
Dan Wang, pesquisador ligado à Universidade de Stanford, é o autor de Breakneck: China’s quest to engineer the future, que será lançado no Brasil pela Intrínseca em agosto. O livro analisa a ascensão da China sob uma perspectiva prática de fábrica e de política pública.
O pesquisador nasceu na China, foi criado no Canadá e vive hoje nos EUA. Entre 2017 e 2023 morou na China, atuando na área de tecnologia em consultoria internacional. Durante viagens entre Hong Kong, Pequim e Xangai, observou a política de Zero Covid e a infraestrutura chinesa.
Wang define a China como um Estado engenheiro e os EUA como uma sociedade de advogados. A metáfora reúne suas observações sobre governança, economia e militarização da inovação, para explicar o duelo entre as duas potências no cenário global.
O que o livro sustenta sobre o equilíbrio entre EUA e China
Segundo Wang, não há vantagem estrutural clara de um lado sobre o outro. O país que errar menos no momento certo tende a liderar. Ele ressalta que decisões de figuras como Xi e as políticas de Jakson Biden influenciam o ritmo de avanços e retrocessos.
O autor aponta que a China escalona tecnologias por meio de manufatura e aprendizado no chão de fábrica, especialmente em Shenzhen. Enquanto isso, os EUA perdem terreno em partes da indústria por priorizarem soluções financeiras e regulatórias.
Principais ideias sobre indústria, serviços e futuro
Wang afirma que a indústria continua essencial para segurança nacional e inovação. Critica a ideia de que apenas serviços criam riqueza, defendendo políticas industriais abertas e transparentes que fomentem produção e abastecimento.
Ele destaca ainda a importância de serrar dependências estratégicas de insumos médicos e farmacêuticos. O pesquisador indica que países emergentes precisam ponderar entre importar itens baratos ou desenvolver sua própria base industrial.
Sobre o Brasil e tendências globais
Para o Brasil, o especialista sugere não depender apenas de commodities. Países em desenvolvimento devem avaliar estratégias de industrialização e proteção de setores estratégicos. Wang chama atenção para o risco de permanecer preso a atividades extrativas.
O autor compara a China a uma Alemanha Oriental ampliada, por combinar avanços tecnológicos com forte controle estatal. O ensaio levanta questões sobre como equilibrar crescimento, liberdade e governança em regimes industriais modernos.
Entre na conversa da comunidade