- Mehrab Abdollahzadeh, 29 anos, preso kurdo, foi executado no início deste mês em Oromiyeh Central Prison, após 42 meses no corredor da morte; ele afirma ter sido torturado para confessar e diz ser inocente.
- Ele foi detido em 2022 durante os protestos nacionais após a morte de Mahsa Amini e era acusado de involvement na morte de um integrante da milícia Basij.
- A onda de execuções ocorre desde o começo do conflito e ataques contra o Irã; a ONU diz ter verificado ao menos 32 presos políticos executados desde então, e a Amnistia Internacional aponta 45 execuções com motivação política em 2025.
- O serviço de Justiça iraniano tem defendido a aplicação da pena de morte, com execuções ao amanhecer; há casos envolvendo acusações de espionagem contra minorias e suspeitos ligados a grupos de oposição exilados, como o de Sasan Azadvar.
- Grupos de direitos humanos, como Amnistia Internacional e Hengaw, ressaltam falta de transparência e uso desproporcional da pena de morte contra minorias; em 2022, o Irã realizou 2.159 execuções, o maior número desde 1989.
Mehrab Abdollahzadeh, preso no cárcere central de Oromiyeh, no Irã, recebeu a notícia da condenação à morte enquanto escrevia de forma firme, conforme relato da Kurdistan Human Rights Network. Ele afirma ter sido torturado e coagido a confessar, e diz que as acusações são falsas.
O homem de 29 anos foi preso em 2022, durante protests nacionais desencadeados pela morte de Mahsa Amini em custódia policial. A acusação envolve participação na morte de um membro da milícia Basij. Após 42 meses de medo, ele foi executado no início deste mês, em meio a uma onda de penas capitais ligadas a questões políticas e de segurança.
Segundo a ONU, desde o ataque dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro, houve verificação de pelo menos 32 execuções de prisioneiros políticos. A ONG Amnesty International aponta que, em 2025, houve 45 execuções por motivos políticos no país, maior índice anual já registrado.
Contexto internacional e padrões de aplicação
O Escritório de Direitos Humanos da ONU alerta que a pena de morte tem sido utilizada de forma cada vez mais ampla para silenciar dissidência. Diversas condenações deste ano envolveram acusações de espionagem ou ligações com grupos de oposição exilados. Quatorze presos foram detidos no contexto da insurgência de janeiro, esmagada com uso de força letal.
As execuções no Irã costumam ocorrer pela via de enforcamento ao amanhecer, conforme a ONG Amnesty International. Em tom crítico, a organização ressalta que muitas casos não são anunciados publicamente, o que acende preocupações sobre transparência.
Autoridades iranianas não responderam a pedidos de comentário sobre o aumento das execuções e acusações de tortura. Em 30 de abril, o chefe da magistratura, Gholamhossein Mohseni Ejei, rejeitou críticas internacionais às sentenças ligadas aos protestos de janeiro.
Entre os casos de 2025 está Erfan Shakourzadeh, de 29 anos, pendurado após ser condenado por supostamente repassar informações classificadas. Hengaw, grupo de direitos humanos com base na Noruega, publicou nota atribuída ao preso antes da morte, denunciando confissões forçadas sob tortura.
O Irã também anunciou a execução de Sasan Azadvar, de 21 anos, central de Isfahan, condenado por moharabeh (guerra contra Deus) e cooperação com o inimigo. A família e advogados questionaram a gravidade das acusações, uma vez que não houve identificação de violência letal no crime.
A Kurdistan Human Rights Network aponta que muitos casos atingem minorias e que os processos são rápidos, com poucas oportunidades de defesa adequada. A organização também expressou preocupação com a rapidez de julgamentos, sentenças e execuções.
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