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Lula diz que conseguir fazer Trump rir pode abrir novas oportunidades

Lula diz que fazer Trump rir não significa submissão; mantém diálogo com os EUA para ampliar espaço do Brasil e atuar como mediador

Lula e Trump na Casa Branca
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  • Lula concedeu entrevista ao Washington Post dizendo que sua aproximação com Donald Trump é deliberada, pragmática e não implica submissão, segundo o presidente brasileiro.
  • A entrevista relembra o encontro de 7 de maio na Casa Branca, quando Lula brincou com Trump sobre sorrir; o americano disse que eleitores preferem líderes sérios, e Lula rebateu.
  • O brasileiro afirmou que, se conseguiu fazer Trump rir, pode conquistar outras coisas, mas manteve que discorda de políticas do governo americano, como guerra ao Irã e intervenção na Venezuela.
  • Lula destacou a necessidade de respeito mútuo e afirmou que divergências políticas não afetam a relação institucional, citando o histórico de tarifas de 2023 e sanções como episódios de crise.
  • O presidente destacou que, desde encontros na ONU e ligações, houve avanços como contenção de tarifas, elogios de Trump e reconhecimento doméstico de que o encontro foi positivo; também defendeu diálogo para Cuba e maior abertura multilateral.

Em entrevista ao Washington Post, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sua estratégia de diálogo com os Estados Unidos é deliberada e pragmática, sem sinalizar submissão. O tema emerge após o encontro com o ex-presidente Donald Trump no início de maio, na Casa Branca.

A reunião de 7 de maio teve Trump guiando Lula pela galeria de retratos oficiais e provocando risos com a pergunta sobre o sorriso. Lula sugeriu que, sim, é possível sorrir na política, e reforçou que a aproximação busca resultados factuais, não submissão.

Lula explicou sua lógica de aproximação: se já fez Trump rir, pode avançar em outras pautas. O presidente brasileiro sinalizou discordâncias com Trump em questões como a guerra contra o Irã, a intervenção na Venezuela e o que chama de genocídio na Palestina, sem romper a relação institucional entre Brasil e EUA.

Em relação ao histórico de tensões, Lula ressaltou que as divergências políticas não quebram a relação entre as duas autoridades. O objetivo seria manter o Brasil tratado com respeito pelo governo americano, afirmou, destacando o papel democrático do Brasil.

A crise do ano anterior, quando Trump impôs tarifas às exportações brasileiras e sancionou autoridades, foi apresentada como aprendizado de resiliência. Lula afirmou que não se curvou diante da pressão, citando um ensinamento da mãe, dona Lindu, sobre manter a cabeça erguida.

Desde o encontro na ONU em setembro, os dois líderes conversaram por telefone quatro vezes. Segundo Lula, Trump amenizou tarifas, suspendeu sanções e passou a elogiar o brasileiro, chamando-o de dinâmico e inteligente. Pesquisas locais indicaram percepção positiva do encontro no Brasil.

Durante o encontro, Lula entregou a Trump o acordo nuclear de 2010 entre Brasil, Turquia e Irã, para mostrar que o Irã não busca novamente uma bomba. Trump disse que avaliaria o documento; no entanto, não houve avanços concretos.

Diálogo sobre Cuba e América Latina

Lula defendeu a redução do bloqueio a Cuba e indicou que o regime cubano está aberto ao diálogo, ao contrário do que ocorreu com a Venezuela. O brasileiro afirmou que, se os EUA abrirem uma mesa de negociação sem imposições, Cuba participará. Trump, por sua vez, não sinalizou intenção de invadir a ilha.

O presidente também alertou para a presença chinesa na região. Ele lembrou que o comércio Brasil-China é hoje maior que o brasileiro com os EUA e disse que, caso Washington queira ocupar posição de liderança, é preciso demonstrar — em termos concretos — vontade de avançar.

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