- Um ataque de drones ucranianos matou quatro pessoas, incluindo uma criança, em Ryazan, na região central da Rússia, e atingiu prédios residenciais e uma empresa industrial não identificada, segundo o governador local.
- Na mesma semana, a Rússia realizou o maior ataque aéreo contra a Ucrânia desde o início do conflito, ampliando a escalada do confronto.
- Analistas traduzem os objetivos russos em quatro frentes: desmilitarizar a Ucrânia (a Ucrânia hoje tem cerca de 850 mil soldados); afastar o país da Otan e da União Europeia; “desnazificar” o governo de Zelensky (com sinalização de negociações por parte de Putin); e conter a expansão da Otan, que ganhou adesões de Suécia e Finlândia, ampliando a fronteira com a Rússia em cerca de 1.340 quilômetros.
- O custo humano e econômico para a Rússia é elevado: cerca de 352 mil mortes de soldados foram registradas segundo a Mediazona, o total de baixas pode superar 1,4 milhão, e a queda na exportação de petróleo caiu de 5 milhões para menos de 2 milhões de barris por dia.
- Entre os ucranianos, o humor mudou de otimismo para frustração, com receio de queda de apoio internacional, especialmente dos EUA; há expectativa de que a linha de frente possa se estabilizar em 40 a 50 quilômetros, o que tornaria necessário algum acordo diplomático, ainda que o governo busque reconquistar todo o território.
Um ataque de drones ucranianos em Ryazan, no centro da Rússia, deixou quatro mortos, entre eles uma criança, e atingiu prédios residenciais e uma empresa industrial não identificada, segundo o governador regional. Na mesma semana, Moscou realizou o maior ataque aéreo contra a Ucrânia desde o início do conflito, ampliando a escalada.
Analistas internacionais discutem se a Ucrânia ainda tem chances de vencer a guerra, partindo dos objetivos originais da Rússia e de quanto eles foram atingidos até agora. O foco é entender se as metas foram alcançadas, renegociadas ou redefinidas ao longo do tempo.
Os quatro objetivos russos na avaliação dos especialistas ganham contornos diferentes. Desmilitarização da Ucrânia, com queda do exército para menos de 50 mil soldados, segundo o estudo. Hoje, a Ucrânia manteria cerca de 850 mil tropas em atuação, afirma o professor Vitelio Brustolin.
A questão da adesão à Otan e à UE também é analisada. A Ucrânia está cada vez mais integrada à aliança, e desenvolve produção conjunta com a Alemanha de mísseis Taurus, com alcance de 500 quilômetros, substituindo peças com alcance menor. A meta de afastar a Ucrânia da aliança não foi atingida.
A “desnazificação” da Ucrânia, termo usado para indicar mudança de governo em Kiev, aparece como ponto polêmico. Putin, em tom mais contido, passou a mencionar negociações, o que indica revisões estratégicas em razão das dificuldades do confronto. Quanto à contenção da expansão da Otan, o resultado foi justamente o oposto, com Suécia e Finlândia aderindo à aliança, ampliando a fronteira com a Rússia.
O peso humano e econômico do conflito também é destacado. Dados do serviço russo Mediazona indicam 352 mil mortes de soldados russos confirmadas por obituários, com baixas totais acima de 1,4 milhão incluindo feridos. Os ataques às refinarias e à infraestrutura energética russas reduziram a exportação de petróleo para menos de 2 milhões de barris por dia, ante cerca de 5 milhões antes da guerra.
O sentimento entre os ucranianos, segundo Américo Martins, analista sênior da CNN Brasil, passou por mudanças marcadas. Em 2023 havia otimismo por parte da população diante da expulsão russa de Kiev e de uma possível contraofensiva. Em 2024, avaliando o avanço russo, surge cansaço e frustração com a evolução do conflito.
Um militar ucraniano ouvido em Lviv sugeriu a possibilidade de a linha de frente estabilizar-se em uma faixa de 40 a 50 quilômetros, com uso intensivo de drones para dificultar movimentos. Embora a ideia represente uma realidade tática, o governo ucraniano busca liberar território, o que é considerado difícil.
O debate entre analistas aponta que, apesar das mudanças no cenário, não há consenso sobre o desfecho. A continuidade do conflito depende de fatores militares, políticos e diplomáticos, bem como do andamento de apoio internacional e de negociações futuras.
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