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Diplomata belga morre antes de julgamento por assassinato de líder congolês

Ex-diplomata belga Étienne Davignon morre antes de enfrentar julgamento pelo assassinato de Patrice Lumumba, último alvo vivo da investigação

Patrice Lumumba, who became the first prime minister of the DRC upon its independence from Belgium, pictured with his hands tied behind his back in 1960.
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  • Étienne Davignon, diplomata belga de 93 anos, morreu antes de enfrentar julgamento pelo assassinato do líder congolês Patrice Lumumba.
  • Em março, ele tinha sido acusado de crime de guerra por suposta participação na detenção ou transferência ilegal de Lumumba e de negar-lhe julgamento imparcial.
  • Também era acusado de envolvimento nos homicídios de dois aliados de Lumumba, Maurice Mpolo e Joseph Okito; ele negava qualquer irregularidade.
  • Davignon era a última pessoa ainda alvo da investigação belga sobre o caso; demais suspeitos já faleceram.
  • Ao longo da carreira, Davignon ocupou cargos de destaque, como comissário europeu entre 1977 e 1985 e chefe de gabinete do primeiro-ministro Paul-Henri Spaak no fim dos anos sessenta.

Entre os 93 anos, Étienne Davignon foi um diplomata belga e figura de destaque na esfera pública europeia. Nesta quinta-feira, confirmou-se sua morte antes de enfrentar julgamento referente ao assassinato do líder congolês Patrice Lumumba.

Davignon era o último alvo vivo da investigação belga sobre o caso Lumumba. A confirmação foi feita pelo Instituto Jacques Delors, onde ele integrava o conselho.

Em março, o ex-diplomata foi chamado a ir a julgamento por crimes de guerra, com suspeita de participação na detenção ilegal e na transferência de Lumumba, além de suposta participação na morte de dois aliados, Maurice Mpolo e Joseph Okito. Ele sempre negou irregularidades e aguardava recurso sobre a decisão de levar o caso a julgamento.

Contexto do caso

Lumumba, primeiro-ministro do Congo independente, foi assassinado em janeiro de 1961 por rebeldes apoiados pela Bélgica. A investigação buscou esclarecer a participação de funcionários belgas na operação e no desfecho violento.

Davignon, que na época atuava como diplomata júnior, later se tornou uma figura central na elite belga, ocupando cargos de chefia de gabinete e, posteriormente, como comissário europeu entre 1977 e 1985. Ele também atuou em conselhos de empresas belgas e estrangeiras.

O falecimento dele impede o avanço do processo contra ele, que já enfrentava obstáculos legais e resistências de partes envolvidas. Os demais suspeitos já haviam tido seus casos encerrados devido aos seus óbitos.

A família de Lumumba recebeu a notícia de forma a marcar um desfecho simbólico à longa demanda por justiça, segundo nota associada ao processo. Fontes oficiais não detalharam próximos passos legais.

Davignon nasceu visconde e foi elevado a conde pelo rei Philippe, em 2018, consolidando-se como uma figura de destaque na história diplomática do país.

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