- Autoridades dos Estados Unidos pressionaram a Argentina, levando à interrupção do projeto do observatório Cesco em San Juan e à retenção de peças fundamentais por cerca de nove meses, deixando a antena gigantesca sem uso.
- As encomendas americanas sobre a China perseguem evitar que projetos de astronomia na região Sul do mundo sejam usados para fins militares, acentuando a disputa geopolítica com Pequim.
- O Chile também encerrou, no ano passado, o projeto de observatório chinês no Deserto do Atacama após forte pressão dos EUA.
- O Radiotelescópio China-Argentina, com investimento de 32 milhões de dólares, tinha antena de quarenta metros; o atraso ocorreu por violações processuais na renovação de acordo com a China, e o arrendamento de Neuquén por cinquenta anos favorece uso civil.
- Estados Unidos realizaram treinamentos com cientistas argentinos e buscaram incluir termos em acordo comercial para limitar cooperação com a China em tecnologia espacial, enquanto diplomatas valorizavam relações com Argentina e outros países da região.
Nas colinas dos Andes argentinos, o radiotelescópio chinês do observatório Cesco ficou interrompido após pressão diplomática norte-americana. O projeto, iniciado há cerca de 15 anos, envolve uma antena de 40 metros e deveria se tornar o maior radiotelescópio da América do Sul. O motivo alegado é evitar uso militar.
A boa localização astronômica sob céu limpo atraiu o interesse de autoridades argentinas e chinesas. No entanto, o governo dos Estados Unidos vem pressionando para conter projetos chineses na região, temendo rastreamento de satélites e comunicações com Pequim. O governo argentino não comentou oficialmente o papel da diplomacia.
Segundo relatos de atuais e ex-funcionários do governo americano, Washington expressou repetidas preocupações com o uso civil versus militar do telescópio. O episódio ocorre no contexto de uma política norte-americana mais assertiva na América Latina, com foco na contenção da presença chinesa.
Contexto regional
Na prática, sinais de interrupção também chegaram ao Chile, onde o Deserto do Atacama hospedaria um observatório chinês. Autoridades chilenas bloquearam o projeto após pressões de Washington. Em ambos os casos, o objetivo declarado é evitar capacidades estratégicas associadas a pesquisas espaciais.
O observatório Cesco, inaugurado na década de 1960, envolve parcerias com universidades argentinas e estrangeiras. O radiotelescópio China-Argentina teve investimento de milhões de dólares e a construção de uma grande antena, que ficou estacionada sem concluir a montagem. A expectativa era ampliar a capacidade sul-americana de pesquisa astronômica.
Especialistas e cientistas locais expressaram frustração com a paralisação, destacando a importância de instrumentos no Hemisfério Sul para mapear o nascimento de estrelas e galáxias distantes. Treinamentos e encontros entre agências americanas e argentinas reforçam o registro de preocupações sobre uso dual de instalações civis.
Situação atual
As peças finais foram retidas na alfândega por meses, dificultando o avanço do projeto. Autoridades argentinas não divulgaram detalhes sobre as negociações diplomáticas que motivaram a interrupção. O observatório permanece inativo, com a antena sem funcionamento.
Entre as partes, há afirmações conflitantes sobre a motivação da decisão. A Embaixada da China em Buenos Aires acusa os Estados Unidos de buscar justificação para conter a China, enquanto representantes norte-americanos afirmam tratativas para reduzir riscos dual-use em instalações civis.
A cobertura da imprensa internacional cita ainda outros polos de atividade espacial na região, como a estação de controle de missões na Patagônia. O episódio evidencia a complexa interseção entre cooperação científica, soberania nacional e estratégias geopolíticas na era espacial.
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