- A ONU alertou que bloqueios e restrições no estreito de Ormuz podem provocar sérias consequências à economia global, incluindo crise alimentar; o secretário-geral defende a liberdade de navegação na região.
- O porta-voz adjunto Farhan Haq classificou o cenário como “um enorme problema para o mundo” e disse que as negociações para reabertura estão paralisadas.
- Irã criou a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico para supervisionar o acesso à hidrovia; a ONU rejeita qualquer mecanismo que limite o tráfego internacional.
- Teerã afirma que a passagem depende de coordenação prévia com suas forças armadas, proibindo navios ligados a países que atacaram o Irã; protocolo de passagem envolve EUA, Israel e aliados.
- As negociações entre Irã e Estados Unidos, mediadas pelo Paquistão, enfrentam impasses devido a divergências sobre o programa nuclear iraniano e soberania regulatória.
A ONU advertiu que o bloqueio e as restrições de passagem no estreito de Ormuz podem afetar seriamente a economia global, chegando a uma crise alimentar mundial. A avaliação foi feita na segunda-feira, com base em informações obtidas pela CNN Brasil, a partir de fontes da Reuters.
O porta-voz adjunto Farhan Haq descreveu o cenário como um enorme problema para o mundo e destacou a defesa do secretário-geral António Guterres pela liberdade de navegação, conforme a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
Questionado sobre a aplicação de crime contra a humanidade, Haq não utilizou o termo, mas ressaltou que a escassez de fertilizantes e combustível impactará fortemente países vulneráveis a choques econômicos. A ONU rejeita mecanismos que limitem o tráfego internacional.
A disputa de Ormuz
O estreito de Ormuz é a rota mais importante para petróleo e gás, e envolve decisões entre Teerã e Washington. O Irã criou a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico para supervisionar o tráfego, afirmando que a passagem depende de coordenação com as forças armadas iranianas e que viagens sem autorização são ilegais.
O governo iraniano indicou a possibilidade de um protocolo para permitir a passagem, porém baniria navios dos EUA, de Israel e de países que apoiaram ataques ao Irã. O anúncio foi feito pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, segundo a Folha de S. Paulo.
Mesmo com o cessar-fogo vigente há cinco semanas, houve confrontos entre EUA e Irã na região. A interrupção do fluxo elevou os preços globais de petróleo, contribuindo para a maior crise de abastecimento no setor de combustíveis.
Negociações travadas
As negociações bilaterais para reabrir o canal e consolidar a paz estão paralisadas. A mediação, conduzida pelo Paquistão, enfrenta impasses sobre o programa nuclear iraniano e a soberania regulatória do estreito.
Na segunda, o Irã apresentou uma proposta revisada aos Estados Unidos, mas demonstrou desconfiança quanto às intenções norte-americanas. O chanceler Abbas Araqchi afirmou que mensagens contraditórias de Washington dificultam o diálogo.
Em 15 de maio, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que sua paciência com o Irã estava se esgotando. Em conversa com Xi Jinping, Trump alegou alinhamento com Pequim para reabrir imediatamente o estreito e assegurar a estabilidade do comércio global.
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