- Protestos na Bolívia se intensificaram, levando bancos a fecharem temporariamente algumas agências em La Paz na terça-feira (19) e direcionando clientes a serviços online.
- Manifestações organizadas por sindicatos, mineradores, trabalhadores do transporte e grupos rurais pressionam o presidente Rodrigo Paz a reverter medidas de austeridade e enfrentar o aumento do custo de vida; alguns pediria demissão.
- Bancos como Banco Nacional de Bolivia, Banco de Credito de Bolivia, Banco Economico e Banco Unión suspenderam operações em parte do centro de La Paz; cinco instituições disseram que não retomariam as atividades até a queda dos protestos.
- Bloqueios de estradas foram registrados em pelo menos 32 pontos, causando escassez de alimentos, suprimentos médicos e combustível; o transporte público entrou em greve em El Alto e o acesso à Praça Murillo ficou sob controle policial.
- Autoridades devem anunciar medidas para permitir a entrada de suprimentos; o governo manteve medidas de contenção de despesas e aumento de salário mínimo, em meio a críticas sobre a situação econômica, com analistas ressaltando desafios estruturais e impactos de choques globais de energia.
Os protestos contra o governo da Bolívia levaram bancos a suspender temporariamente operações em La Paz nesta terça-feira, 19. A decisão ocorreu em meio à intensificação de manifestações e a preocupação com a segurança.
Sindicatos, mineradores, trabalhadores do transporte e grupos rurais vêm promovendo ações nas últimas semanas, pressionando o presidente Rodrigo Paz a reverter medidas de austeridade e enfrentar o aumento do custo de vida. Alguns manifestantes chegam a pedir a renúncia do chefe de estado.
Alguns bancos no centro de La Paz, incluindo o Banco Nacional de Bolivia, o Banco de Crédito de Bolivia (BCP), o Banco Económico e o Banco Unión, interromperam atividades em determinadas agências. Clientes foram orientados a utilizar serviços online e caixas eletrônicos.
Impacto nas operações e na vida cotidiana
Fontes próximas às instituições financeiras indicam que as operações não devem ser retomadas até a redução dos protestos. A associação bancária Asoban não detalhou os motivos, mas informou que o setor permanece parcialmente operacional.
O centro de La Paz manteve-se mais tranquilo pela manhã, porém houve deslocamentos de manifestantes para outras áreas e uma greve de transporte foi registrada em El Alto. O acesso à Praça Murillo, onde fica o palácio presidencial, teve controle policial rígido.
Bloqueios nas estradas atingiram a distribuição de mercadorias, causando escassez de alimentos, suprimentos médicos e combustível. Ao todo, foram registrados pelo menos 32 bloqueios na terça.
A estatal de energia Ypfb informou que bloqueios na planta de Senkata e em outras vias obrigaram a suspensão de envios a regiões afetadas. Autoridades calculam medidas para facilitar a entrada de suprimentos em La Paz e El Alto ainda nesta semana.
No Paraguai, motoristas bolivianos próximos a Assunção relatam esperas por soluços na tensão entre os dois países, com relatos de dificuldades logísticas na região fronteiriça.
Contexto econômico e político
Paz, que assumiu em novembro com a promessa de reduzir gastos e subsídios aos combustíveis, elevou o salário mínimo em 20% e ampliou alguns benefícios, mas as medidas não diminuíram as tensões. As autoridades apontam resistência de setores ligados ao ex-presidente Evo Morales.
Analistas destacam problemas estruturais na economia boliviana, em meio a uma crise prolongada. A crise ocorre em um momento de incerteza sobre opções de crescimento, com o país depender cada vez mais de imports de combustível.
Mercados reagiram de forma contida, com redução do prêmio para manter a dívida boliviana estável frente aos títulos do Tesouro dos EUA, sinalizando preocupação limitada dos investidores com curto prazo de solvência.
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