- O JW Marriott de caracas tornou-se o centro de operações dos EUA na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro em janeiro, com diplomatas, empresários e militares presentes.
- O hotel é visto como quase uma embaixada de fato, já que a embaixada formal permanece fechada e infestada de ratos e baratas segundo analistas.
- Grandes negociações acontecem em hotéis próximos, incluindo a Cayena, onde estrangeiros discutem mineração e privatizações e aguardam movimentos futuros.
- Entre os assuntos discutidos estão o estado crítico da rede elétrica venezuelana e a avaliação de novas eleições, com rumores de cronogramas ainda incertos.
- A adesão a uma abertura econômica é marcada por otimismo de alguns setores, mas há resistência entre elites que veem risco de neocolonialismo e perda de controle sobre recursos.
O JW Marriott de Caracas funciona como centro nervoso da presença dos EUA na Venezuela após a intervenção militar de 3 de janeiro. Diplomatas, empresários e militares norte-americanos circulam entre reuniões e contatos informais para definir estratégias sobre o país.
Segundo relatos de assessores, o hotel abriga a maioria dos visitantes oficiais, com a recepção registrando check-ins de hóspedes de governo ao longo do dia. A depender da agenda, eles permanecem no local entre 26 e 27 dias.
A neleita dos EUA ampliou-se desde o recuo de relações com governos subsequentes. O prédio, que ficou fechado por anos após o rompimento diplomático em 2019, hoje recebe equipes que discutem governança, oil e privatizações, em um ambiente privado e restrito.
Centro estratégico
Conforme o movimento no hotel, há discussões sobre o estado da rede elétrica do país, incluindo críticas à atuação de fornecedores terceirizados. Há também análises sobre cenários políticos, com debates sobre novas eleições e a caminho da transição institucional.
Ao lado do JW Marriott, outros espaços de alto padrão aparecem como polos de negociação. Em Cayena, a poucos quilômetros, grandes negociações financeiras ocorrem em hotéis que cobram tarifas superiores e atraem compradores estrangeiros interessados no setor de mineração e privatizações.
As negociações envolvem figuras estrangeiras que, segundo fontes, evitam identificar nomes completos, mas demonstram interesse repetido por recursos naturais e modernização do setor produtivo. A dinâmica sugere uma atuação coordenada entre interesses internacionais e estratégicos.
Reação interna
Entre elites venezuelanas, o sentimento é de cautela mista a otimismo contido. Enquanto alguns veem o fim do ciclo Maduro como abertura para mudanças, outros temem a perda de autonomia nacional e a dependência de decisões externas.
Um clima de insatisfação se manifesta em manifestações de trabalhadores, com críticas à suposta cooperação neocolonial e à condução de políticas sob orientação externa. A tensão social acompanha o ritmo das negociações e dos rumores sobre privatizações.
Mesmo diante da incerteza, parte do setor privado local permanece otimista. A expectativa é de avanços econômicos com reformas, atração de capital e recuperação de setores produtivos que ainda exibem fragilidades estruturais, como infraestrutura e energia.
Ao longo de Caracas, a presença estrangeira se manteve em posição discreta, com operações fortemente protegidas. Observadores indicam que o cenário pode evoluir para maior abertura econômica, mantendo, porém, incertezas quanto ao ritmo de reformas e à consolidação democrática.
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