- Xi Jinping afirmou que o mundo corre o risco de regredir à “lei da selva” e elogiou a parceria com a Rússia, dizendo que, juntas, são uma força estabilizadora global.
- Putin viajou a Pequim para encontro com Xi; a cerimônia inicial teve marchas militares e hinos, seguida de reunião ampliada até a tarde local.
- Os líderes assinaram pactos em tecnologia, comércio, pesquisa científica e propriedade intelectual, incluindo uma extensão do Tratado China-Rússia de Boa Vizinhança e Cooperação.
- Xi pediu que ambos se oponham a toda intimidação unilateral, enquanto Putin enfatizou que a China é fornecedora confiável de energia e convidou Xi para visitar a Rússia no próximo ano.
- No plano econômico, a China é importante parceira comercial da Rússia; houve confirmação da compra de 200 jatos Boeing e a expectativa de extensão do acordo comercial com os Estados Unidos, com possível encontro Putin-Trump na cúpula da APEC em novembro.
O presidente chinês Xi Jinping recebeu Vladimir Putin em Pequim nesta quarta-feira, 20, em meio a tensões internacionais. O encontro ocorre poucos dias após a cúpula entre Xi e o ex-presidente dos EUA, ampliando o foco sobre a relação entre China e Rússia. Xi afirmou que o mundo pode regredir à lei da selva, em discurso feito durante a recepção a Putin no Grande Salão do Povo.
Antes das negociações formais, uma cerimônia de abertura trouxe desfile de soldados e uma banda militar tocando os hinos russo e chinês. Crianças exibiram bandeiras dos dois países, marcando a atmosfera de cordialidade entre os chefes de Estado.
As tratativas começaram com reunião restrita entre Xi e Putin, seguida de conversa ampliada com as delegações. Ao todo, as conversas encerraram por volta das 14h no horário local.
Assinatura de acordos e parceria estratégica
Em seguida houve assinatura de diversos pactos envolvendo tecnologia, comércio, pesquisa científica e propriedade intelectual. Entre os documentos, destacouse a extensão do Tratado China-Rússia de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa, firmado há 25 anos.
Xi ressaltou que a relação bilateral está no mais alto nível de parceria estratégica abrangente e pediu a oposição a toda intimidação unilateral no cenário internacional.
Putin, por sua vez, elogiou o relacionamento com a China, dizendo que a cooperação está em um nível sem precedentes e que Moscou continua como fornecedor confiável de energia. O líder russo também convidou Xi para visitar a Rússia no próximo ano.
Contexto geopolítico e agenda econômica
A agenda de Putin em Pequim deve incluir comércio e investimentos, com foco no atual cenário econômico russo, impactado por sanções e pela guerra na Ucrânia. A China é a principal parceira comercial de Moscou, adquirindo uma parcela relevante das exportações de petróleo russo.
A visita ocorre em um momento de proximidade entre Xi e Putin, que costumam se referir um ao outro como parceiros próximos. Ainda nesta quarta, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, deve se reunir com o colega russo, Sergei Lavrov.
Perspectivas e próximos passos
Atlantes de acordo com a imprensa estatal, a conversa entre líderes também abordou temas regionais e internacionais, com ênfase na oposição a pressões externas. Observa-se a coincidência de posições entre os dois governos sobre temas de segurança energética e cooperação tecnológica.
Além disso, rumores indicam possível encontro entre Putin e Trump em novembro, à margem de uma cúpula da APEC a ser sediada na China. A divulgação oficial, entretanto, não confirmou nenhum agendamento definitivo.
Entre na conversa da comunidade