- O relatório da FairSquare aponta 23 casos de abusos trabalhistas na cadeia de fornecimento da Aramco na Arábia Saudita, com riscos graves de segurança e saúde para trabalhadores migrantes.
- Shrawan Shah Rauniyar, nepalesa, ficou com as pernas esmagadas em projeto gerido pela Aramco; após o acidente, foi orientado pela empresa de recrutamento a não pedir compensação e acabou sendo mandado de volta ao Nepal.
- O texto indica que muitos trabalhadores não recebem compensação por acidentes; em apenas um dos seis casos apurados houve pagamento.
- A família de Manjay Kumar Sah, que morreu aos 40 anos enquanto trabalhava como carpinteiro de estrutura, não recebeu compensação da empresa; apenas recebeu apoio de seguros no Nepal, com a morte frequentemente registrada como “natural”.
- Aramco e Saipem afirmam ter políticas de segurança e bem‑estar, mas o relatório aponta falhas na aplicação dessas diretrizes na cadeia de fornecedores.
Shrawan Shah Rauniyar, trabalhador nepales, ficou com as pernas esmagadas em um acidente durante uma obra de Aramco na Arábia Saudita. Não era empregado direto da estatal, mas atuava via uma empresa de fornecimento de mão de obra, encaminhado para um projeto gerido pela Saipem, contratada pela Aramco. O acidente ocorreu há menos de um mês, segundo o relato, e ele aguarda compensação prevista em contrato e na lei saudita.
A denúncia faz parte de um relatório do FairSquare que reúne 23 casos de supostas violações de direitos trabalhistas ligadas a contratados da Aramco na Arábia Saudita. Entre as acusações estão riscos graves de segurança, jornadas exaustivas e dificuldades para obter indenização em caso de lesão ou morte. As informações foram colhidas junto a trabalhadores migrantes.
Rauniyar afirma que, após o acidente, funcionários da empresa fornecedora o ameaçaram no hospital e o forçaram a voltar para o Nepal. A Saipem informou ter prestado assistência médica integral. A Aramco, por meio de nota, afirmou que a segurança e o bem‑estar são valores centrais e que mantém protocolos para condições de trabalho seguras, além de apoiar a força de trabalho de contratados.
Contexto do grupo Aramco
O relatório ressalta que a Aramco é uma das maiores empresas do mundo, responsável por grande parte da receita estadual. Em meio a esse peso, o texto aponta falhas na responsabilidade sobre a proteção de trabalhadores que atuam por meio de terceiros, especialmente migrantes da Ásia do Sul.
O conjunto de informações também aborda condições de moradia, calor extremo, turnos que podem chegar a quase 19 horas e alojamentos chamados de “slum housing”, segundo a organização. Em alguns casos, apenas uma das 23 situações teve compensação financeira, conforme apurado pelo FairSquare.
Casos de trabalhadores
Entre as vítimas está Manjay Kumar Sah, que morreu em 2023 em um canteiro de obras na costa leste da Arábia Saudita. A família recebeu apenas indenização de esquemas de seguro em Nepal. A morte foi registrada como natural pela certidão, sem explicação sobre a causa subjacente, segundo o relatório. A esposa, Babita, e os quatro filhos seguem enfrentando dificuldades.
Aramco divulgou que trabalha para manter a segurança e o bem‑estar de todos no ecossistema de seus contratos. Saipem afirmou tratar com seriedade a saúde e a segurança de pessoas envolvidas em seus projetos, incluindo trabalhadores contratados.
O que está em jogo
O estudo aponta que trabalhadores migrantes, apesar de não aparecerem nos relatórios oficiais da Aramco, formam grande parte da mão de obra que viabiliza a produção e as obras da empresa. Além da compensação, o relatório reforça a necessidade de padrões que se apliquem de forma uniforme em toda a cadeia de fornecedores.
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