- Irã completa 83 dias com bloqueio total da internet, o mais longo já registrado em país conectado digitalmente.
- VPNs confiáveis ficaram caras, entre US$ 5 e US$ 10 por mês, dificultando o acesso de boa parte da população.
- Governo lançou o Internet Pro para empresários pré-aprovados, com acesso especial e custo alto; há mercado paralelo de acesso privilegiado e SIM cards brancos para alguns elites.
- Repressão cresce: pelo menos 21 pessoas foram executadas e mais de 4 mil presas por acusações ligadas à segurança nacional; centenas de bens também foram confiscados.
- Um jornalista japonês da NHK foi detido no Irã, solto sob fiança e colocado em prisão domiciliar; aguardando julgamento.
O Irã completa 83 dias sem acesso a sites estrangeiros desde o bloqueio iniciado em 28 de fevereiro, dias após ataques de Israel e EUA. O governo afirma que a censura é necessária por segurança nacional, para impedir uso externo de redes sociais.
Segundo a NetBlocks, o apagão é o mais longo já registrado em uma nação conectada, superando o bloqueio em Mianmar, de 2021. A população enfrenta queda de acesso e preços elevados para contornar a restrição.
Antes do bloqueio, redes sociais como Instagram já eram bloqueadas e o WhatsApp vinha sendo filtrado. Com o fim de quase todas as plataformas, muitos recorrem a VPNs, que hoje custam entre 5 e 10 dólares mensais, valor alto para salários médios.
Internet por classes e custos
O governo lançou o programa Internet Pro para empresários pré-aprovados, mas com custo alto e triagem rígida. Quem não pode acessar enfrenta uma internet isolada, restrita a serviços iranianos oficiais e a Google apenas com limitações.
Pessoas ligadas ao governo dizem que a rede continuará bloqueada por tempo indeterminado, vendo a internet como ameaça à segurança. Internamente, há estímulo a modelos de controle semelhantes aos usados na China.
O impacto se faz sentir entre pequenos empresários que dependiam da web, comerciantes que vendiam pelo Instagram e profissionais liberais. Um professor de inglês relatou perda de alunos que eram de fora.
Repressão e segurança
Desde o início da guerra, há relatos de aumento de prisões e execuções por supostos crimes contra a segurança do Estado. A ONU aponta ao menos 21 execuções e mais de 4 mil prisões nesse período.
Dados locais indicam confiscos de bens de centenas de pessoas ligadas a dissidências. Autoridades afirmam ações enérgicas contra traidores, mídia hostil e inimigos do Estado. Vários jornalistas foram afetados.
Entre as vítimas, está o japonês Shinnosuke Kawashima, correspondente da NHK em Teerã, detido em janeiro. Ele foi libertado sob fiança e permanece em prisão domiciliar, com julgamento pendente.
Em desdobramentos recentes, a Justiça iraniana informou a execução de dois homens associados a grupos separatistas que supostamente atuavam contra forças de segurança. O monitoramento internacional continua.
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