- Nepal comemora triplicação da população de tigres, estimada em trezentos e cinquenta e cinco animais, conforme autoridades ambientais.
- Em meio a migração masculina, mulheres rurais em áreas de floresta atuam em trabalhos diários de subsistência, aumentando a exposição a conflitos com vida silvestre.
- Casos fatais incluem Binita Pariyar, de dezessete anos, morta em dezembro de dois mil e vinte e cinco enquanto cortava grama para o gado; outros cinco ocorreram em quatro semanas nas proximidades do Bardiya National Park.
- Pesquisas indicam que quase um terço dos ataques fatais ocorre durante manejo de gado e outro terço durante a colheita de grama; a maioria das vítimas confirmadas são mulheres que vão ao mato para coletar forragem.
- Bardiya registra elevado risco, com oitenta e quatro por cento dos ataques ocorrendo a menos de um quilômetro de limites florestais; especialistas defendem reformas de compensação, acesso mais seguro a forragem e sistemas de alerta comunitário para mitigar o problema.
O crescimento da população de tigres no Nepal contrasta com o aumento do risco para mulheres rurais em áreas de fronteira florestal. Enquanto o país celebra o crescimento da fauna, mulheres em comunidades de Bardiya enfrentam perigos diários ao buscar subsistência na floresta, especialmente na coleta de lenha e forragem. A migração masculina em massa intensificou a responsabilidade feminina no campo.
A mudança demográfica é descrita como feminização da agricultura, com mulheres assumindo a maior parte das tarefas agrícolas e domésticas. A situação as coloca em áreas de alto risco, próximas às bordas das florestas, onde ocorrem as atividades de subsistência.
Ocasionalmente, ataques fatais acontecem durante atividades rotineiras. Em dezembro de 2025, Binita Pariyar, de 17 anos, foi morta por um tigre enquanto cortava grama para o rebanho. Nas quatro semanas seguintes, novas mortes ocorreram em áreas ao redor do Bardiya National Park.
Contexto de risco e padrões observados
Estudos recentes indicam que quase um terço dos ataques fatais ocorre durante o manejo de gado e outro terço durante a colheita de gramíneas. Os registros da Forest Department apontam que a maioria dos ataques de 2021 a 2025 ocorreu quando mulheres cortavam gramíneas, em áreas designadas para coleta de forragem, lenha e pastagem.
Dados de 2024 mostram que 84% dos ataques registrados no distrito de Bardiya ocorreram a menos de 1 quilômetro das fronteiras florestais. Muitas mortes recente ocorreram no Khata Corridor, trecho que liga Bardiya National Park à Katarniaghat Wildlife Sanctuary, na fronteira com a Índia.
A conservação ressalta que os horários de maior movimento dos felinos coincidem com os momentos em que mulheres entram nas florestas para as atividades de subsistência, como gramíneas e lenha, especialmente ao amanhecer e ao entardecer.
Desafios institucionais e respostas políticas
A população de tigres no Nepal já é estimada em 355 indivíduos, mais que o dobro do que havia em 2009. Líderes comunitários em Bardiya ressaltam que o sucesso de conservação costuma ser medido por números de fauna, mas os custos humanos são menos visíveis.
Bardiya permanece entre os ambientes mais perigosos do país, com dezenas de mortes associadas à vida silvestre nos últimos cinco anos. Mesmo assim, mulheres continuam sub-representadas em instituições de tomada de decisão relacionadas a parques nacionais.
Durante as eleições de março de 2026, a crise de conflito homem-vida silvestre ganhou destaque, com eleitores pedindo soluções imediatas. Algumas promessas eleitorais defendiam ações diretas contra animais considerados problemáticos, enquanto especialistas alertam para necessárias reformas de compensação, acesso seguro a forragem e sistemas de alerta prévio baseados na comunidade.
Perspectivas de mitigação
Especialistas defendem que medidas de longo prazo devem incluir reformas de compensação, acesso seguro a recursos florestais e estratégias comunitárias de vigilância e alerta. A abordagem deve priorizar ações preventivas em vez de respostas reativas.
O material indica que mulheres, comunidades locais e governos precisam colaborar para reduzir o risco sem comprometer a subsistência. O tema permanece central no debate sobre equilíbrio entre conservação e bem-estar humano no Nepal.
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