- Tribunal de Apelação de Paris deve divulgar nesta quinta-feira o veredito sobre o voo AF447, que deixou duzentos e vinte e oito mortos em 2009, durante a rota entre o Rio de Janeiro e Paris.
- O Airbus A‑330 da Air France decolou do Galeão em 31 de maio de 2009 com 216 passageiros, 12 tripulantes e 33 nacionalidades a bordo; o acidente ocorreu após falha em sensores de velocidade.
- A queda ocorreu quando o piloto automático foi desativado e o copiloto reagiu de forma incorreta, levando o avião a estolar e perder sustentação, caindo em aproximadamente três minutos e meio.
- Em 2023, a Justiça francesa absolveu Air France e Airbus na primeira instância; no novo julgamento, o Ministério Público mudou de posição para defender a condenação.
- O veredito pode redefinir a responsabilidade criminal das empresas; as investigações apontaram falhas técnicas, erros de pilotagem e treinamento inadequado.
O Tribunal de Apelação de Paris divulgará nesta quinta-feira o veredito final sobre o acidente do voo Air France 447, ocorrido em 1º de junho de 2009 no Atlântico. O caso envolve a aeronave Airbus A330 que seguia do Rio de Janeiro a Paris, com 216 passageiros e 12 tripulantes. A decisão pode manter ou modificar a absolvição das empresas envolvidas.
Em 2023, a Justiça francesa absolveu Air France e Airbus por homicídio culposo corporativo. Na ocasião, porém, reconheceu falhas e negligência das companhias, sem estabelecer nexo causal definitivo entre as falhas técnicas e a queda. O Ministério Público, no novo julgamento iniciado em 2025, passou a defender a condenação das duas empresas.
O acidente teve origem em sensores Pitot defeituosos durante tempestade na região das Doldrums, perto do Equador. Com a falha de medição, o piloto automático foi desativado e o copiloto, segundo o BEA, realizou manobra inadequada que elevou o avião acima de sua altitude ótima, levando a um estol e à queda em aproximadamente três minutos.
O relatório final do BEA, divulgado em 2012, apontou uma combinação de falhas técnicas, erros de pilotagem e treinamento inadequado. Familiares das vítimas questionam a atuação das autoridades francesas e defendem que haja responsabilidade maior das fabricantes. O novo julgamento durou cerca de dois meses e concluiu as audiências com o Ministério Público reiterando a necessidade de responsabilização.
O veredito de hoje pode redefinir o financiamento e a responsabilidade criminal no caso, além de impactar a forma como a indústria aeronáutica lida com falhas de sensores e treinamento de pilotos em voos de longa distância. Especialistas lembram que, mesmo com mudanças, a segurança aérea depende de múltiplos fatores e de contínuos avanços tecnológicos.
O caso AF447 é lembrado como marco de reformas globais em procedimentos de acesso a avaliações técnicas, monitoração de sistemas de bordo e protocolos de resposta a falhas. Para familiares, o resultado permanece como referência de justiça e memória das vítimas. (Com informações da Reuters)
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