- A Estratégia Contraterrorista dos Estados Unidos (USCT 2026) foi lançada em 6 de maio, na véspera do encontro entre o presidente Lula e Donald Trump em Washington, e ganhou pouca atenção no Brasil.
- A nova estratégia redefine o papel do crime organizado transnacional como ameaça estratégica, conectando narcotráfico, terrorismo e guerras híbridas, com foco na soberania, integração continental e segurança de fronteiras.
- Organizações como PCC e Comando Vermelho passam a ser vistas, pela ótica americana, como potenciais atores coercitivos híbridos que controlam territórios, redes de financiamento e cadeias logísticas transnacionais, ao invés de meras facções criminosas.
- O texto sugere uma resposta regional brasileira mais integrada, incluindo a criação da Iniciativa Sul-Americana de Combate ao Narcoterrorismo (Insac), diplomacia de fronteiras e uma postura mais firme em relação a regimes vizinhos, com possível cooperação em segurança naval e designação conjunta de organizações terroristas.
- O artigo aponta que, para o Brasil, a queixa central é a falta de visão estratégica nacional integrada entre defesa, inteligência, segurança pública e política externa, destacando a necessidade de reconfigurar as Forças Armadas, a Marinha e a Força Aérea para enfrentar o narcoterrorismo como questão de segurança nacional.
O governo americano lançou a Nova Estratégia Contraterrorista (USCT 2026) em 6 de maio, pouco antes da reunião entre Lula e Donald Trump em Washington. O documento, ligado à NSS 2026 e à NDS 2026, redefine a percepção de ameaça, passando a considerar organizações criminosas transnacionais como fatores estratégicos que podem comprometer soberania e estabilidade hemisférica.
Washington passa a enxergar PCC e Comando Vermelho como possíveis “agentes híbridos” que vão além da criminalidade comum. Cartéis, milícias transnacionais e redes de narcotráfico seriam capazes de controlar território, infiltrar instituições e afetar fluxos econômicos, com impactos transregionais. A definição de ameaça se estende a conceitos como insurgência criminosa e ecossistemas de ameaça híbrida.
No Brasil, a reação tem sido tímida. Analistas afirmam que a discussão sobre classificação de grupos brasileiros como terroristas estrangeiros é limitada e frequentemente descartada por questões ideológicas. O documento sugere que a fragilidade institucional e a falta de coordenação regional ampliam a vulnerabilidade do país frente a esse novo conceito de segurança.
A estratégia norte-americana propõe uma integração entre defesa, inteligência, finanças e diplomacia para enfrentar esse cenário. A ideia é construir capacidade regional de resposta, com cooperação em fronteiras, cibersegurança e controle de fluxos financeiros, além de ampliar a cooperação naval no Atlântico Sul.
No âmbito regional, o texto aponta a necessidade de um sistema sul-americano de segurança coletiva contra o narcoterrorismo. Entre as ações, está a criação de uma Iniciativa Sul-Americana de Combate ao Narcoterrorismo (Insac) com compartilhamento de inteligência e operações combinadas. Também propõe maior pressão diplomática sobre a Venezuela e uso de mecanismos de cooperação com outros países do continente.
Para o Brasil, as propostas apontam caminhos como maior integração entre órgãos de segurança, defesa e justiça; reforço de fronteiras amazônicas e platinas; e uso estratégico da Força Aérea, da Marinha e do Exército para proteção de infraestruturas críticas, além de maior protagonismo na arena regional de segurança.
O texto sugere ainda transformar o Brasil em interlocutor central no Atlântico Sul, com plataformas de cooperação naval, intercâmbio de inteligência financeira e participação em exercícios de interdição, mantendo autonomia decisória. A ideia é alinhar a política externa com uma visão integrada de poder, economia e defesa.
A análise considera que a mudança de estratégia nacional exigiria uma revisão profunda de doutrinas, planejamento e orçamento, além de articulação entre defesa, diplomacia e segurança interna. O autor destaca que esse debate ocorre em paralelo a uma reavaliação de alianças e parcerias na região.
Organizações como PCC e CV teriam, segundo a leitura do documento, potencial de atuar como atores estratégicos, não apenas como criminosos. A designação formal de tais estruturas como terroristas estrangeiras é apresentada como instrumento para uma arquitetura de poder integrada entre Brasil, defesa, inteligência e Justiça.
Fontes consultadas ressaltam que a discussão ainda está em fases iniciais no Brasil e depende de decisões políticas e legais. O texto enfatiza a necessidade de transformar a diplomacia brasileira em vetor ativo de uma estratégia regional de combate ao narcoterrorismo.
— Marcos Degaut, especialista em Segurança Internacional, é citado como referência para a análise do tema.
Entre na conversa da comunidade