Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Ex-espião cubano afirma que aviões dos EUA derrubados em 1996 não tinham missão

Acusação a Raúl Castro pelo abate de dois aviões em 1996 reacende tensão entre EUA e Cuba, segundo ex-espião cubano, com alegações de planos violentos ocultos

O ex-espião cubano e membro dos Cinco Cubanos, René González, fala durante uma entrevista em Havana
0:00
Carregando...
0:00
  • Em 24 de fevereiro de 1996, caças cubanos derrubaram dois aviões da organização Irmãos ao Resgate, causando a morte de quatro pessoas, segundo a versão apresentada por Cuba.
  • A Justiça americana acusa Raúl Castro, então ministro da Defesa, de assassinato, conspiração para matar cidadãos americanos e destruição de aeronaves; Cuba afirma ter agido em legítima defesa.
  • René González, ex-inspião cubano e um dos Cinco Cubanos, afirma que a organização operava sob uma imagem humanitária, mas guardava planos violentos para Cuba.
  • González aponta que a radicalização ocorreu na década de noventa, durante a crise econômica cubana após a queda da União Soviética, mas destaca que nem todos os membros compartilhavam desses objetivos.
  • A acusação é situada dentro de um contexto de pressão dos EUA sobre Cuba durante o governo Trump, com referência à lei Helms-Burton, aprovada em resposta aos fatos de 1996.

Aviões de pequeno porte da organização Irmãos ao Resgate foram derrubados em 24 de fevereiro de 1996 por caças cubanos, em um incidente que deixou quatro mortos. Um terceiro avião, com o líder da organização, José Basulto, conseguiu escapar. O episódio ocorreu entre Cuba e águas internacionais, com versões distintas sobre o terreno de atuação.

Hoje, 30 anos depois, o governo dos EUA acusa Raúl Castro, então ministro da Defesa, de assassinato, conspiração para matar cidadãos norte-americanos e destruição de aeronaves. Havana sustenta que agiu em legítima defesa dentro de suas águas territoriais.

René González, ex-espião cubano e um dos Cinco Cubanos, participou da fundação do grupo. Em entrevista, aponta que a missão era apresentada como humanitária, dedicada a resgatar balseiros, mas afirma que havia planos violentos não tornados públicos.

Segundo o relato de González, a radicalização do Irmãos ao Resgate ganhou corpo na metade dos anos 1990, em meio à crise econômica após a dissolução da União Soviética. Nem todos os membros compartilhavam as intenções mais radicais, diz.

González relembra ainda uma incursão de 1994, quando participou de um voo próximo ao Malecón, em Havana, com lançamento de sinalizadores e bombas de fumaça, uma violação ao espaço aéreo cubano amplamente divulgada.

Sobre o abate de 1996, o ex-espião descreve o choque ao tomar conhecimento da notícia na cozinha de sua casa, em Miami. Ele afirma que houve pressão para repassar informações e receber orientações de Havana.

A acusação contra Raúl Castro ocorre em meio a uma ofensiva política dos EUA liderada pela gestão de Donald Trump para endurecer a pressão sobre Cuba, segundo fontes associadas ao caso. A motivação é apontada como estratégia de correntes do exílio anticastrista.

A versão cubana mantém que a intervenção foi necessária para defender o território e evitar danos maiores. O governo de Havana não oferece novos detalhes, mantendo o posicionamento de legítima defesa.

Ao longo dos anos, o episódio foi usado por setores do exílio para criticarem o regime cubano e defender uma linha mais agressiva de relação com os EUA. A tensão entre os dois países permanece marcada por desconfianças históricas.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais