- Marine Le Pen afirmou que, se eleita, retiraria a França da estrutura de comando militar integrado da Otan, mantendo a participação na aliança.
- O chanceler Jean-Noel Barrot classificou a proposta como irresponsável e disse que a saída seria uma traição aos aliados diante da ameaça russa.
- Le Pen criticou a dependência das decisões dos Estados Unidos, citando Donald Trump como exemplo de interferência externa.
- O Comando Militar Integrado da Otan reúne forças de 32 países-membros para atuar como uma força única.
- Em Suécia, Barrot pediu que a França e seus parceiros “europeizem” a Otan, enquanto Jordan Bardella adotou tom mais cauteloso e disse que não retiraria a França em tempos de guerra.
A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, afirmou que retiraria a França da estrutura de comando militar integrado da OTAN caso seja eleita presidente em 2027. A declaração ocorreu nesta sexta-feira, durante entrevista à BFM TV, enquanto ministros da OTAN se reuniam na Suécia. A proposta é parte de uma defesa da autonomia estratégica francesa, incluindo o possível afastamento do comando, sem romper a participação na aliança.
Le Pen sustenta que manter a França na OTAN, mas fora do comando integrado, manteria a interoperabilidade com forças aliadas. A candidata criticou a dependência europeia das decisões dos Estados Unidos, citando a influência de líderes como Donald Trump como fator problemático para a independência francesa.
Reação oficial e contexto diplomático
Ao desembarcar na reunião da OTAN na Suécia, o chanceler francês Jean-Noël Barrot rejeitou a ideia, classificando-a como irresponsável. Barrot afirmou que é essencial que a França e seus parceiros reforcem a visão europeia da aliança diante da revisão do papel dos EUA na defesa europeia. Ele classificou as chamadas por saída da OTAN como irrealistas.
O debate sobre a OTAN é antigo na França, que tradicionalmente valoriza a autonomia estratégica. O presidente Emmanuel Macron já defende reduzir a dependência europeia em segurança e defesa. Historicamente, a França se afastou do comando integrado em 1966, decisão revertida em 2009 durante o governo Sarkozy.
Contexto político
O ex-presidente Charles de Gaulle retirou o país do comando em 1966; a reintegração ocorreu em 2009. Nesta semana, a maioria dos blocos políticos franceses, incluindo o Reunião Nacional, apoiou medidas para aumentar os gastos militares na Câmara baixa, como parte de um esforço para fortalecer as Forças Armadas diante da continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia. A candidatura de Le Pen depende de decisão judicial sobre recursos prevista para este ano.
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