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Mulheres sem véu dirigindo motos ganham espaço no Irã desde o início da guerra

Mulheres no Irã dirigem sem hijab em Teerã desde o início da guerra; prática de resistência cresce, apesar de lei que ainda exige o véu e pode punir

Mahtab, estudante de finanças iraniana, comprou uma moto em dezembro e dirige em Teerã sem hijab (véu)
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  • Desde o início da guerra contra Israel e os Estados Unidos, mulheres em Teerã passaram a dirigir motos sem hijab, prática antes impensável.
  • Em fevereiro o governo autorizou oficialmente a concessão da carteira de moto para mulheres, ainda que haja resistência cultural e jurídica ao tema.
  • No parque Pardisan, muitas mulheres aparecem sem véu, apesar de a prática continuar prevista em lei, que já levou milhares a multas ou prisão.
  • A mobilização ganhou força após o caso de Mahsa Amin, em dois mil e vinte e dois, cuja morte desencadeou protestos e resistência ao uso obrigatório do véu.
  • Autoridades indicam que não há intenção de rediscutir a obrigatoriedade do hijab; algumas pessoas dizem que, diante da guerra, haverá pressão para reajustes, mas a regra continua vigente.

A mobilidade das ruas de Teerã tem revelado uma mudança de comportamento das mulheres desde o início da guerra contra Israel e os EUA. Observadores relatam que o hijab deixou de ser uma norma visual diária para muitos, especialmente entre jovens que dirigem motos sem véu.

A prática, antes quase inibida pela polícia da moral, ganhou espaço após meses de tensões políticas e sociais. Em fevereiro, o governo autorizou oficialmente a concessão de carteiras de moto para mulheres, abrindo caminho para essa forma de expressão pública.

No último sábado, 15 de maio, moradores viram mulheres sem hijab circulando em parques e vias da capital, desafiando padrões anteriores. Em Teerã, a maioria deixava o véu de lado, mesmo com a obrigatoriedade vigente por lei, e milhares já haviam sido multadas ou detidas por descumprimento.

Mudanças nas ruas e persistência da norma

Relatos de moradores indicam que a reação varia conforme o entorno. Em parques como Pardisan, a presença de mulheres sem véu pode ocorrer sem a heightened vigilância de décadas anteriores, embora autoridades mantenham a regra formal.

A resistência ganhou força após o movimento que emergiu com a morte de Mahsa Amin em 2022, quando mulheres passaram a contestar o uso obrigatório do véu. A violência policial em protests anteriores alimentou o debate sobre liberdade de vestir-se.

Entre as entrevistadas, algumas afirmam que a situação política e a guerra desviaram a atenção das leis de vestimenta, ainda assim a exigência formal segue em vigor em bancos, universidades e repartições administrativas.

Perspectivas e implicações

Especialistas ressaltam que a mudança nas ruas não implica extinção da obrigação legal, que continua vigente. Observadores apontam que a imprensa estatal mantém a narrativa de manter a norma por questões religiosas e culturais.

Ao mesmo tempo, relatos de jovens mostram um interesse crescente por autonomia e expressão individual, mesmo diante de possíveis consequências legais. Algumas estudantes relatam que passaram por situações de risco ao dirigir sem habilitação ou sem cobrir o cabelo.

Mantê-la sob supervisão oficial é visto por analistas como uma das fontes de controle social. Enquanto isso, a população permanece dividida entre adesão à norma e ações de protesto mais discretas nas ruas de Teerã.

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