- Emirados Árabes Unidos e Israel avançam laços, incluindo a ideia de um fundo conjunto de defesa para compra de armas.
- A proposta do fundo teria surgido após uma suposta visita secreta de Netanyahu aos EAU, que foi negada pelos Emirados.
- Ao mesmo tempo, os EUA teriam confirmado empréstimo de sistemas de defesa aérea de Israel aos Emirados.
- O anúncio da saída dos EAU da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no fim de abril acentuou as mudanças na região.
- Analistas dizem que o Oriente Médio está reconfigurando blocos: um eixo Emirados-Israel e um “diamante sunita” formado por Arábia Saudita, Paquistão, Turquia e Egito, com cooperação variável entre eles.
Emirados Árabes Unidos e Israel aceleram laços com a criação de um fundo conjunto de defesa, destinado à compra de armamentos em parceria, segundo reportou o Middle East Eye e sem confirmação dos governos. A ideia ganhou repercussão após uma visita anunciada de Benjamin Netanyahu aos EAU, cuja existência foi negada pelos Emirados pouco depois.
Paralelamente, autoridades israelenses teriam empréstimos de sistemas de defesa aérea aos Emirados para reforçar proteção contra ataques do Irã, conforme confirmação de um embaixador dos EUA em Israel em evento anterior a essa semana.
Essas movimentações ocorrem em contexto de mudanças regionais profundas. O fim de abril viu os Emirados anunciarem saída da Opep após 59 anos, gesto que muitos analistas veem como indicativo de uma nova ordem no Golfo e do redesenho de alianças na região.
Reconfiguração regional
Segundo observadores, o Golfo passa a ter formatos diferentes: um hexágono de Emirados e Israel e um diamante formado por Arábia Saudita, Paquistão, Turquia e Egito, grupo também conhecido como Quarteto. A tendência é de disrupção nas políticas de segurança regional.
Especialistas destacam que o alinhamento entre Tel Aviv e Abu Dhabi se dá por motivações pragmáticas, como acesso a recursos, tecnologia e redes de influência, além da disposição de avançar redes geopolíticas centradas no petróleo e nos grandes centros financeiros.
Desafios e fragilidades
Apesar das convergências, há dúvidas sobre a sustentabilidade dessas parcerias. Analistas apontam promiscuidade geopolítica como característica predominante, com alianças que podem ser temporárias diante de pressões externas.
A Turquia, a Arábia Saudita e o Egito integram o chamado Quarteto, que pode buscar diálogo com o Irã para reduzir tensões, em meio a receios com a postura militar de Israel. Pesquisadores ressaltam que relações entre esses países permanecem firmes em áreas estratégicas, mesmo com divergências.
Outros especialistas ressaltam que as dinâmicas regionais não sugerem escolha de lados de forma rígida. Em vez disso, descrevem um cenário de cooperações seletivas e rápidas mudanças, com objetivos econômicos, de segurança e de influência internacional.
Entre na conversa da comunidade