- A Justiça belga emitiu sentença interlocutória no julgamento de Sergio Roberto de Carvalho, conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”, adiando a decisão final para setembro.
- O grupo é acusado de enviar drogas de portos brasileiros para a Europa, movimentando cerca de 45 toneladas com lucro estimado em € 500 milhões.
- Carvalho foi detido na Hungria em junho de 2022, extraditado para a Bélgica em 2023 e já havia sido expulso da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul em 2018 por tráfico de drogas.
- O julgamento envolve mais de trinta réus ligados ao caso, conhecido na Europa como “Samba”; defesas apresentaram recursos que levaram à nomeação de três novos juízes.
- As sessões ocorrem no Palácio da Justiça, em Bruxelas, por questões de segurança, mas o caso é julgado pelo Tribunal Correcional de Bruges, com escolta policial mantida e ajustada para permitir contato com advogados.
O tribunal belga divulgou nesta sexta-feira a sentença interlocutória do julgamento envolvendo Sergio Roberto de Carvalho, conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”. O processo, que apura uma rede de tráfico de drogas que movimentou cerca de 45 toneladas, terá a decisão final adiada para setembro. A decisão de hoje responde a pedidos preliminares das defesas.
Carvalho é apontado como um dos líderes da organização criminosa que enviou drogas do Brasil para a Europa, especialmente via Antuérpia e Roterdã. O grupo teria auferido lucro estimado em 500 milhões de euros. O brasileiro foi detido na Hungria, em junho de 2022, numa operação conjunta entre a PF, a Interpol e a Polícia Judiciária de Portugal, e extraditado à Bélgica em 2023. No Brasil, ele já havia sido expulso da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul em 2018, após condenação por tráfico.
Julgamento e controvérsias
Segundo o jornal Le Monde, Carvalho dividiu identidades com outras frentes internacionais, chegando a viver em Marbella sob o nome Paul Wouter. Um pedido de condenação de 13 anos por tráfico chegou a ser registrado na Espanha, mas houve alegação de óbito por covid-19 em 2020, apresentado como atestado. Autoridades brasileiras alertaram a Justiça espanhola sobre supostas coincidências de impressão digital com Carvalho.
Ao todo, mais de 30 réus figuram no processo, conhecido na Europa como Samba, por ter o braço brasileiro da organização. O julgamento, iniciado em 2024, tem sido marcado por polêmicas, incluindo afastamentos de juízes e recursos das defesas. A sessão ocorreu no Palácio da Justiça, em Bruxelas, apesar do caso tramitar no Tribunal Correcional de Bruges, a cerca de 100 quilômetros da capital.
Jurisdição e segurança
Defesas questionaram a jurisdição para a sessão em Bruxelas, mas os magistrados mantiveram que o tribunal tem competência sobre o distrito de Flandres Ocidental. Em relação à segurança, houve resistência a medidas rígidas: o tribunal manteve a escolta, com ajustes para permitir consultas entre réus e advogados. Os advogados, porém, criticaram o ambiente de alta segurança, enquanto o tribunal reiterou a necessidade de proteção.
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