- A operação da FSB ocorreu ao mesmo tempo em todas as 11 zonas de fuso da Rússia, com buscas na casa e no local de trabalho de 17 ativistas indígenas.
- Daria Egereva, líder indígena selkup e co-presidente do Fórum de Povos Indígenas na COP30, segue presa sob acusação de pertencimento a um grupo terrorista, sem data de julgamento marcada.
- Outros ativistas foram soltos ou deixaram o país; alguns permanecem, mas sem voz pública.
- O caso evidencia o risco aos povos indígenas na Rússia diante de autoritarismo, extrativismo e mudanças climáticas, com comunidades enfrentando derretimento de permafrost e impactos ambientais.
- Em audiência de fiança em quinze de abril, Egereva negou envolvimento com a organização; o tribunal manteve a detenção até pelo menos meados de junho.
Daria Egereva, conhecida ativista indígena, está entre 17 líderes participantes de comunidades originárias alvo de uma operação da segurança federal russa. A ação ocorreu às 9h, horário de Moscou, e se espalhou por 11 fusos horários do país. Policiais realizaram buscas, apreenderam laptops e telefones e interrogaram sobre participação em fóruns internacionais. A maioria foi liberada, mas alguns optaram por deixar o país.
Seis meses após a operação, Egereva permanece presa. Ela é acusada de associação com um grupo terrorista, sem data definida para o julgamento. Os apoiadores sustentam que as acusações são fabricadas e que a detenção é parte de uma repressão por sua atuação pública.
Egereva pertence ao povo Selkup, de Sibéria Ocidental, e teve destaque internacional ao atuar no órgão de coordenação de povos indígenas da ONU. Semanas antes da detenção, participou do Cop30 no Brasil como co-presidente do Fórum Indígena sobre Mudanças Climáticas.
Contexto indígena na Rússia
A ação contra Egereva coloca em evidência a situação das comunidades indígenas no país, pressionadas pela centralização de poder, atividade extrativista e mudanças climáticas. Observadores apontam que o Ártico registra aquecimento acima da média global, com impactos em permafrost e ecossistemas locais.
Tradicionalmente, muitas comunidades enfrentam riscos de desintegração de assentamentos próximos a rios e lagos, agravados pela degradação de margens causada pelo derretimento do permafrost. O acesso a minerais sob terras indígenas aumenta tensões e deslocamentos potenciais.
Segundo relatos, a indústria extrativista se concentra em recursos como ouro, diamante, petróleo, gás e carvão. Para alguns moradores, tais recursos representam riqueza, mas para outros trazem riscos ambientais severos que afetam a caça, a pesca e a vida local.
Implicações legais e geopolíticas
Antes da guerra na Ucrânia, o governo já associava questões ambientais a atividades subversivas. A crise atual intensifica acusações contra organizações indígenas e defensores de direitos humanos. Dados da ONU indicam que centenas de grupos foram alvo de listas de terror ou extremismo.
As autoridades russas têm baseado acusações de Egereva e de outra ativista, Natalia Leongardt, na suposta ligação com a rede Aborigen. Em audiência de fiança, as defensoras negaram qualquer envolvimento com organizações antiestado. O tribunal manteve a detenção até, pelo menos, meados de junho.
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