- O Gruyère AOP enfrenta impasse diplomático que afeta importações, concursos e rótulos de queijos artesanais no Brasil.
- A Suíça orientou entidades parceiras a não patrocinar eventos no país, abrindo espaço para escassez do queijo no mercado doméstico.
- Atualmente não há importação de Gruyère AOP no Brasil, mesmo pela EMI, fabricante de marcas nacionais.
- No Mundo, houve incidentes como retirada de queijos brasileiros classificados como “tipo Gruyère” em concursos, por não possuírem vínculo com a denominação.
- O Brasil assinou acordo no Mercosul para vedar usos de denominações protegidas, com derrogação temporária para adaptação dos fabricantes.
O queijo Gruyère AOP, tradicionalmente produzido nos Alpes suíços, volta a gerar atrito entre proteção de denominações, comércio internacional e artesanato brasileiro. A disputa envolve normas, diplomacia e identidade cultural.
A Interprofession du Gruyère regula uso de nomes na Suíça, enfrentando empresas que utilizam a denominação indevidamente. Especialistas apontam que fabricantes lidam com interesse comercial intenso ao explorar nomes conhecidos pelo consumidor.
A tensão ganhou o Brasil quando a Confederação Helvética enviou cartas a entidades parceiras orientando o não patrocínio de eventos locais, em defesa de indicações geográficas. Como consequência, o Gruyère deixou de patrocinar o Mundial de Queijos no país.
No mercado interno, a escassez é marcante: nenhum Gruyère AOP está sendo importado. Em lojas de referência, o preço do quilo supera os valores de itens de alto padrão, como lagosta, refletindo a interrupção de fornecimento.
Implicações e episódios internacionais
Entre os episódios, houve no World Cheese Awards uma retirada de peças classificadas indevidamente como Gruyère, durante a edição anterior, quando a lista de inscritas foi publicada. Queijos brasileiros foram desclassificados em reunião com uma especialista.
O cerne técnico envolve a classificação por família tecnológica: massa prensada cozida, produzido com leite cru, a 57°C, que guarda relação de método com Gruyère, mas não pelo território, raça ou tradição associada.
A Associação Sertãobras, de Pereira, já publicou manifestos contrários à imposição. Entidades jurídicas participam do movimento para defender o uso apropriado da denominação no Brasil.
Perspectivas e próximos passos
O Brasil, como membro do Mercosul, assinou acordo que veda o uso de denominações de origem europeias protegidas. O prazo de derrogação permitirá adaptação gradual dos produtores nacionais.
Pereira está em negociações com o cônsul da Suíça no Brasil para pleitear, junto ao Ministério da Agricultura, um acordo binacional. A ideia é somar voz internacional a uma demanda doméstica organizada.
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