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Queijo Gruyère sai de prateleiras do Brasil após impasse diplomático

Brasil adota acordo do Mercosul para restringir denominações protegidas, mas derrogação mantém uso temporário até ajuste dos produtores

Gruyère reserve. Foto: Guillermo White/SerTãoBras
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  • O Gruyère AOP enfrenta impasse diplomático que afeta importações, concursos e rótulos de queijos artesanais no Brasil.
  • A Suíça orientou entidades parceiras a não patrocinar eventos no país, abrindo espaço para escassez do queijo no mercado doméstico.
  • Atualmente não há importação de Gruyère AOP no Brasil, mesmo pela EMI, fabricante de marcas nacionais.
  • No Mundo, houve incidentes como retirada de queijos brasileiros classificados como “tipo Gruyère” em concursos, por não possuírem vínculo com a denominação.
  • O Brasil assinou acordo no Mercosul para vedar usos de denominações protegidas, com derrogação temporária para adaptação dos fabricantes.

O queijo Gruyère AOP, tradicionalmente produzido nos Alpes suíços, volta a gerar atrito entre proteção de denominações, comércio internacional e artesanato brasileiro. A disputa envolve normas, diplomacia e identidade cultural.

A Interprofession du Gruyère regula uso de nomes na Suíça, enfrentando empresas que utilizam a denominação indevidamente. Especialistas apontam que fabricantes lidam com interesse comercial intenso ao explorar nomes conhecidos pelo consumidor.

A tensão ganhou o Brasil quando a Confederação Helvética enviou cartas a entidades parceiras orientando o não patrocínio de eventos locais, em defesa de indicações geográficas. Como consequência, o Gruyère deixou de patrocinar o Mundial de Queijos no país.

No mercado interno, a escassez é marcante: nenhum Gruyère AOP está sendo importado. Em lojas de referência, o preço do quilo supera os valores de itens de alto padrão, como lagosta, refletindo a interrupção de fornecimento.

Implicações e episódios internacionais

Entre os episódios, houve no World Cheese Awards uma retirada de peças classificadas indevidamente como Gruyère, durante a edição anterior, quando a lista de inscritas foi publicada. Queijos brasileiros foram desclassificados em reunião com uma especialista.

O cerne técnico envolve a classificação por família tecnológica: massa prensada cozida, produzido com leite cru, a 57°C, que guarda relação de método com Gruyère, mas não pelo território, raça ou tradição associada.

A Associação Sertãobras, de Pereira, já publicou manifestos contrários à imposição. Entidades jurídicas participam do movimento para defender o uso apropriado da denominação no Brasil.

Perspectivas e próximos passos

O Brasil, como membro do Mercosul, assinou acordo que veda o uso de denominações de origem europeias protegidas. O prazo de derrogação permitirá adaptação gradual dos produtores nacionais.

Pereira está em negociações com o cônsul da Suíça no Brasil para pleitear, junto ao Ministério da Agricultura, um acordo binacional. A ideia é somar voz internacional a uma demanda doméstica organizada.

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