- O USCIS anunciou que pessoas que buscam ajustar o status para obter green card devem fazê-lo no exterior, via consulado, a partir de seu país de origem.
- A mudança foi comunicada por memorando, que orienta avaliação caso a caso para eventual alívio extraordinário, e representa a primeira grande alteração em mais de sessenta anos.
- O Departamento de Segurança Interna disse que a política faz o sistema de imigração funcionar conforme a lei, evitando possíveis atalhos.
- Grupos de apoio e analistas criticaram a medida, apontando que pode forçar indivíduos a deixar empregos e famílias, impactando especialmente famílias de status misto.
- Ainda não está claro como casos de green card já pendentes serão afetados, em meio a acúmulo de vistos e de cartões de residência.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) informou nesta sexta-feira que candidatos a green card que buscam ajustar seu status imigratório dentro dos EUA deverão fazê-lo a partir de seus países de origem, através do Departamento de Estado. A mudança, anunciada pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS), é considerada uma reorientação significativa da política migratória sob a gestão Trump.
O USCIS publicou um memorando de políticas determinando que, ao avaliar pedidos, oficiais devem considerar fatores relevantes caso a caso para decidir se há necessidade de alívio extraordinário. A norma redefine como os requerentes devem proceder para obter residência permanente.
O DHS afirmou que “um estrangeiro que está nos EUA temporariamente e quer um Green Card deve retornar ao seu país de origem para solicitar”. Segundo o órgão, a nova prática visa fazer o sistema de imigração funcionar conforme a lei, evitando “loopholes”.
Analistas estimam que mais de 1 milhão de imigrantes legais nos EUA aguardam a obtenção do green card, segundo uma avaliação citada pela imprensa. O processo pode exigir saída dos EUA para a tramitação em consulados no exterior, encerrando a possibilidade de ajuste de status no país para muitos requerentes.
Muitos pedidos devem ser processados a partir do exterior, o que pode prejudicar famílias com situação mista. A medida ocorre em meio a um acúmulo de casos de vistos e green cards enfrentado pelo USCIS, aumentando a incerteza sobre prazos de processamento.
Organizações de apoio, como a HIAS, apontam impactos negativos, incluindo a necessidade de candidatos que já enfrentam traumas retornarem a países considerados perigosos para concluir o processo. A avaliação envolve efeitos sobre sobreviventes de tráfico humano e crianças abusadas ou abandonadas.
A mudança é parte de uma série de medidas de endurecimento imigratório adotadas pela administração Trump ao longo do último ano. Em 2025, houve redução de duração de vistos para estudantes, intercambistas culturais e membros da imprensa. Em janeiro, o Departamento de Estado informou revogação de mais de 100 mil vistos na gestão atual.
A agência não detalhou como casos já em andamento serão afetados pela nova diretriz, nem estabelecerá prazos para a implementação plena. O impacto exato dependerá de avaliações caso a caso, conforme os critérios oficiais do USCIS.
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