- Tom, prisioneiro de guerra soviético, fugiu de um campo nazista em Jersey em 1943 e viveu escondido com a família Le Breton por mais de dois anos.
- Após a libertação das ilhas em maio de 1945, ele retornou à União Soviética, mas não houve notícias até a BBC localizar descendentes no Uzbequistão.
- A investigação apontou que o nome completo era Bokejon Akramov, nascido em 1910 em Namangan, Uzbequistão, recrutado na região durante a guerra.
- A família Le Breton manteve as lembranças: Dulcie relembra que Akramov lia para as crianças e convivia com a família, apesar do medo constante.
- Como reconhecimento, as autoridades uzbeques concederam postumamente a John e Phyllis Le Breton a Ordem da Amizade; Dulcie recebeu a condecoração em 6 de maio.
Em Jersey, no Canal da Mancha, um prisioneiro de guerra soviético escapou de um campo de trabalhos forçados nazista em 1943 e passou os anos seguintes escondido pela família Le Breton. O mistério sobre seu destino após a Segunda Guerra Mundial só foi desvendado décadas depois pela BBC.
Chamado apenas de Tom, ele fugiu dos nazistas, encontrou abrigo na casa dos Le Breton e viveu ali por mais de dois anos, sob constante risco. As condições descritas por Tom no diário revelam disciplina rígida, fome e brutalidades nos campos de trabalho, comuns à época.
Após a libertação das ilhas em maio de 1945, Tom retornou à União Soviética. Três cartas chegaram a Jersey durante a viagem de retorno, mas, após isso, o silêncio persistiu. Os ex-prisioneiros passaram por triagens e, em muitos casos, enfrentaram suspeitas de deslealdade.
A BBC investigou por anos, cruzando diários, registros soviéticos e grafias diversas do nome. A investigação levou à identificação de Bokejon Akramov, nascido em 1910, recrutado em Namangan, atual Uzbequistão, com ligações possivelmente à Ásia Central.
Para confirmar, a equipe visitou Namangan e obteve um retorno emocional: Shamsiddin Ahunbayev, neto de Akramov, reconheceu as fotografias preservadas pela família Le Breton e revelou a relação de longo tempo entre as duas famílias. A descoberta foi confirmada pela BBC News Rússia.
O reconhecimento público ocorreu com a descoberta de que Akramov recebeu a Ordem da Guerra Patriótica décadas depois do retorno, possivelmente com um endereço residencial registrado. A BBC levou a história até Angara, Uzbequistão, para confirmar o paradeiro.
A família Le Breton recebeu reconhecimento póstumo com a Ordem da Amizade, concedida às autoridades britânicas por sua coragem e compaixão. Dulcie Le Breton, a filha que vive em Jersey, foi contemplada com a mesma homenagem em 6 de maio, fortalecendo os laços entre Jersey e Namangan.
A história encerra com o encontro entre Dulcie e Ahunbayev, que expressaram gratidão pela ajuda prestada há décadas. A BBC reforçou a mensagem de que inúmeras famílias em Jersey ajudaram soldados soviéticos durante a guerra, muitas vezes em segredo.
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