Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Durigan afirma Brasil teve paciência com tarifaço dos EUA, ao contrário da Europa

Durigan diz que o Brasil manteve posição diante do tarifaço dos EUA; a Europa reagiu abruptamente, fortalecendo a autonomia do Judiciário

Ministro da Fazenda, Dario Durigan (Washington Costa/MF)
0:00
Carregando...
0:00
  • O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu a resposta do Brasil ao tarifaço dos EUA, em entrevista à revista francesa Le Grand Continent, realizada no início da semana em Paris, durante a reunião do G7.
  • Ele afirmou que o Brasil não retaliou os EUA, mantendo posição firme e rejeitando interferência externa, mesmo diante de tarifas de cinquenta por cento (dez por cento global mais quarenta por cento adicionais).
  • Durigan comparou a reação brasileira à europeia, dizendo que a Europa agiu de forma abrupta, enquanto o Brasil demorou mais a responder, sem adotar medidas hostis.
  • Sobre o caso de Jair Bolsonaro, o ministro disse que o julgamento prosseguiu e houve condenação mesmo sob pressão geopolítica, o que, na visão dele, fortaleceu a autonomia do Judiciário.
  • O ministro ressaltou a defesa do multilateralismo, citou a busca do Brasil por relações equilibradas com China e Europa e afirmou que o país quer subir na cadeia de valor de minerais críticos para evitar dependência de exportação de matérias-primas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil manteve uma postura firme diante do tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos e criticou a forma como a Europa reagiu. A declaração foi dada em entrevista à revista francesa Le Grand Continent, no início da semana, durante passagem por Paris para a reunião do G7.

Durigan disse que o Brasil não retaliou as tarifas norte-americanas, mesmo diante de pressões. Segundo ele, o país enfrentava tarifas equivalentes a 50% em alguns setores, distribuídas entre 10% de imposto global e 40% adicionais, o que não levou o Brasil a adotar contra-medidas.

O ministro destacou que Lula, na época, afirmou que o Brasil tinha déficit comercial com os EUA, importando serviços, tecnologia e farmacêuticos, enquanto os EUA tinham déficit com a China. Durigan afirmou que, aplicando o mesmo raciocínio, o Brasil não deveria impor tarifas aos EUA, alternando entre contestação e não retaliação.

Diferentes reações entre Brasil e Europa

Durigan afirmou que o Brasil mostrou paciência para responder ao governo americano, mantendo posição soberana sem aumentar a hostilidade. Em contraste, a Europa adotou uma postura mais abrupta, o que, na visão dele, pode ter agravado a situação.

Questionado sobre se as tarifas tinham o objetivo de influenciar medidas no caso Bolsonaro, Durigan reconheceu a possibilidade, mas disse que a estratégia não funcionou. Ele afirmou que o julgamento contra o ex-presidente prosseguiu, independente das tarifas.

Essa dinâmica, afirmou, reforçou a autonomia do Judiciário brasileiro e enviou sinal de previsibilidade jurídica às empresas. Segundo o ministro, investidores buscam resolver disputas na Justiça com regras estáveis e previsíveis, sem decisões unilaterais.

Multilateralismo e relações externas

Durigan reiterou o apoio do Brasil ao multilateralismo e reforçou a oposição a mecanismos unilaterais. Sobre parceria com China e Europa, disse que o Brasil busca manter bom relacionamento com o mundo, mas não admite que qualquer país inundem o mercado brasileiro com produtos manufaturados.

O ministro enfatizou que a estratégia também vale para minerais críticos, defendendo soberania e aumento da cadeia de valor no Brasil. Ao exportar apenas matérias-primas, o país pode elevar o custo de bens finais, como o café, no mercado interno.

Durigan encerrou destacando que o Brasil possui vantagens geopolíticas, investe em energia limpa e biocombustíveis e atua em um contexto de incertezas geopolíticas provocadas por conflitos regionais e eventos no Irã, além do fechamento do Estreito de Ormuz.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais