- Sete meses após o cessar-fogo entre Israel e Hamas, não houve paz nem reconstrução em Gaza; pelo menos oitenta por cento dos prédios foram reduzidos a escombros e a área segue sob tentas com más condições higiênicas.
- O plano de paz de vinte pontos de Donald Trump não foi implementado; EUA não usaram sua influência para avançar o acordo, que previa desarmamento do Hamas, saída de Gaza e um Comitê de Paz liderado por Trump.
- Parte 2 do plano, que preveria desmilitarização, transferência de governo e reconstrução de larga escala, não ocorreu; há alerta de que, sem acordo, o cessar-fogo pode terminar e a ajuda humanitária ficar comprometida.
- Funcionários da ONU destacam entraves burocráticos e dificuldades de acesso em Gaza, com poucas passagens fronteiriças abertas e atrasos na entrega de alimentos e insumos.
- Relatos de moradores, como Shireen Al-Kurdi, mostram vida extremamente difícil com operações militares próximas, escassez de comida, água, energia e medicamentos, além de mortos e feridos nos bombardeios diários.
Gaza permanece sem sinais consistentes de paz ou reconstrução, mesmo sete meses após a assinatura do cessar-fogo entre Israel e o Hamas. O acordo, anunciado em outubro, não resultou em melhoria concreta para a população, que segue levando uma vida marcada pela insegurança, falta de moradias e dificuldades humanitárias.
A região continua sob pressão de ataques esporádicos, com milhares de palestinos desabrigados vivendo em tendas. Estima-se que boa parte dos prédios na faixa tenha sido destruída, e a reconstrução permanece lenta, diante de entraves políticos e burocráticos internacionais.
Contexto e autoria do impasse
Zaha Hassan, especialista do CEIP, aponta que o plano de 20 pontos de Trump não foi implementado por motivos políticos, com a ausência de substituto claro para a mediação dos EUA. O documento previa desarmamento do Hamas, exclusão de Gaza e criação de um comitê de paz para supervisionar um governo tecnocrata, além de uma Fase 2 com desmilitarização e reconstrução.
Especialistas reforçam que não houve consenso entre as partes. A Fase 2 do plano depende de desarmamento do Hamas, o que não tem apoio unânime nem de Israel nem de líderes palestinos. A ausência de acordo sustenta incertezas sobre futuro político, segurança e ajuda humanitária.
Perspectivas e crítica ao processo
Analistas destacam que o acordo se tornou, na prática, um comunicado diplomático sem implementação viável. O governo de Israel tem mantido controlo sobre território, fronteiras e segurança, dificultando qualquer caminho para um Estado palestino viável. A fragmentação entre Hamas em Gaza e a Autoridade Palestina na Cisjordânia também complica negociações.
Além disso, autoridades da ONU destacam obstáculos logísticos e burocráticos para a assistência humanitária. Acesso restrito a Gaza, demanda por veículos e peças, além de atrasos na liberação de fundos e autorização de passagem, dificultam a distribuição de comida, água e medicamentos.
Realidade no terreno
Moradores de campos de refugiados relatam condições precárias: falta de moradia adequada, cortes de energia, alta inflação e dificuldade de acesso a itens básicos. A linha de demarcação entre áreas sob controle israelense e Gaza aproxima-se de zonas residenciais, elevando o risco de confrontos.
A ONU e outras organizações ressaltam que, sem avanços políticos, a ajuda humanitária restrita não consegue atender às necessidades crescentes da população. A situação humanitária é agravada pela infestação de roedores e pela proliferação de doenças transmitidas por insetos, segundo relatos no terreno.
Entre na conversa da comunidade