- O acordo em negociação entre EUA e Irã, mediado pelo Paquistão e pelo Qatar, não solucionará as justificativas usadas para ataques a Teerã, como enriquecimento de urânio e mudança de regime, nem restringirá de forma definitiva o programa de mísseis e drones.
- Mesmo com o acordo, a guerra deve deixar um legado de posição mais rígida contra o Irã, manter restrições parciais ao enriquecimento e não impedir completamente a atuação de Teerã na região, incluindo seus proxies.
- O estreito de Hormuz continua no centro da disputa: o Irã pode impor regras de passagem, com possível cobrança, mesmo que haja uma liberação parcial da via; autoridades ligadas à Guarda Revolucionária resistem a abrir mão do controle completo.
- Entre as condições, o Irã exige o desbloqueio de ativos no exterior,headando metade dos US$ 24 bilhões congelados na assinatura do memorando e o restante em sessenta dias; os Estados Unidos enfrentam resistência de alas mais duras.
- O rascunho atual não aborda de forma detalhada as relações do Irã com o Hezbollah e com os houthis, e permanece incerto se haverá um acordo aceitável para as partes.
O acordo em negociação sobre o Irã colocaria em risco as metas anunciadas por Israel e pelos Estados Unidos no início da guerra, em 28 de fevereiro. Enriquecimento de urânio, mudanças de regime e restrições ao arsenal seriam impactos avaliados, mas não atingidos segundo as negociações em curso.
Esforços de mediação de Paquistão e Qatar buscam um entendimento entre Washington e Teerã. Enquanto isso, ataques de autodefesa dos EUA continuam ocorrendo, mesmo com o cessar-fogo vigente desde 8 de abril, ampliando dúvidas sobre a eficácia das negociações para limitar o conflito.
Acordo proposto não prevê, de imediato, redução total do programa de mísseis e drones iraniano nem mudança significativa nas relações de Teerã com seus apoiadores regionais. A gestão do estreito de Hormuz permanece sob controle iraniano, com possibilidade de taxas ou pedágios como recurso de financiamento.
Desafios do cessar-fogo e tática de guerra
No Líbano, o cessar-fogo de 17 de abril não freou ataques israelenses, resultando em centenas de mortes. Netanyahu anunciou intensificação das ações contra o Hezbollah, apesar do acordo vigente, o que complica a viabilidade de um acordo duradouro.
Autoridades da Guarda Revolucionária rejeitam abrir mão do controle do estreito, argumentando seu papel dissuasor. Do lado iraniano, a desconfiança com os EUA persiste, em meio a históricos ataques durante negociações anteriores.
A grande exigência iraniana envolve o desbloqueio de ativos no exterior. A liberação de metade dos US$ 24 bilhões congelados é solicitada já na assinatura, com o restante em 60 dias, o que, segundo analistas, pode enfrentar resistência entre setores norte-americanos.
Perspectivas políticas e estratégicas
O rascunho do acordo não detalha como seria tratar o programa nuclear e o urânio enriquecido em uma segunda fase. Discrepâncias entre Teerã e Washington sobre essa etapa indicam que o caminho pode ser longo e incerto.
A oposição norte-americana ao acordo chega de setores conservadores, que alertam para riscos de financiamento de atividades nucleares iranianas. Já o Irã mantém posição firme sobre não transferir material para terceiros.
O tema das alianças regionais, como Hezbollah e houthis, não consta de forma clara no texto em negociação. A conclusão de um acordo depende de compreensões que satisfaçam ambos os lados sem comprometer suas linhas vermelhas.
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