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Cortes de Trump podem ter agravado o surto de Ebola, aponta estudo

Especialistas dizem que cortes de ajuda dos EUA e a saída da Organização Mundial da Saúde atrasaram a resposta ao surto de Ebola, agravando a transmissão na África Oriental

Equipe da Cruz Vermelha trabalha na desinfecção de um hospital em Rwampara, no Congo, após uma morte por ebola
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  • O surto de ebola atinge o leste da República Democrática do Congo e Uganda, com a variante Bundibugyo, mais rara e sem vacina; a taxa de mortalidade é alta, próxima de um terço dos casos.
  • Até 25 de maio, a OMS registrava cerca de 900 casos suspeitos e autoridades congolesas contabilizavam mais de 200 mortes.
  • O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que a resposta está sendo ampliada com vigilância, rastreamento de contatos e testes laboratoriais, e declarou emergências de saúde pública internacional em 17 de maio.
  • Especialistas atribuem parte do atraso na detecção às cortes de ajuda externa dos EUA e à saída dos Estados Unidos da OMS, o que teria reduzido a atuação de prevenção e vigilância.
  • A USAid, sob ordem do governo, teve cortes significativos em 2025, e governos europeus também reduziram cooperação; a OMS já recebeu ajuda inicial de 3,9 milhões de dólares para apoiar sistemas de saúde locais.

A Reuters informou que um surto de ebola está se espalhando no leste da República Democrática do Congo e em Uganda, com casos ainda sendo confirmados. A cepa envolvida é Bundibugyo, variante rara sem vacina nem tratamento específico, diferente da cepa Zaire, associada a vacinas disponíveis.

Autoridades internacionais classificaram a situação como emergencial para a saúde global, após a confirmação do surto em meados de maio. As primeiras notificações apontam para transmissão que já ocorria há semanas sem detecção adequada, aumentando a necessidade de vigilância e resposta rápida.

Causas estruturais e financiamento são centrais no debate. Relatórios indicam redução de recursos por cortes na ajuda internacional e na participação da Organização Mundial da Saúde, sob governo dos EUA, o que especialistas apontam como fator que pode ter dificultado a resposta inicial. A OMS declarou emergência de saúde pública internacional em 17 de maio.

Cortes de orçamento e mudanças institucionais

O Comitê Internacional de Resgate descreveu quedas de financiamento que reduziram atividades de prevenção na província de Ituri, no Congo. A diretora local afirmou que o desfinanciamento elevou a exposição ao vírus, conforme a evolução dos casos.

Especialistas destacam que a Bundibugyo tende a se espalhar com maior rapidez se a detecção for lenta. Um epidemiologista ressaltou que a ausência de ampla testagem e vigilância pode esconder a dimensão real do surto.

Cenário institucional nos EUA e ações de resposta

A USAid sofreu reduções, com suspensão de repasses por 90 dias e cortes temporários de contratos. Embora parte do financiamento tenha sido restabelecido, impactos permanecem, e países europeus também retraíram contribuições.

O governo dos EUA afirma que as medidas não prejudicaram a capacidade de resposta. O Departamento de Estado anuncia financiamento para clínicas de tratamento na região, reforçando o compromisso com a cooperação local.

Desafios no terreno e continuidade dos trabalhos

A situação é agravada pela instabilidade regional, com deslocamentos de população e presença de grupos armados que dificultam operações de saúde. Mesmo assim, equipes humanitárias continuam atuando, com apoio logístico para ampliar a cobertura de atendimento.

Casos foram registrados em Goma, cidade no Congo, e em Kampala, capital de Uganda, aumentando a necessidade de resposta coordenada entre países. A OMS liberou recursos iniciais para apoiar os sistemas de saúde locais e ampliar a vigilância.

Perspectivas e apelos por mais financiamento

Especialistas argumentam que o surto pode exigir recursos adicionais para impedir uma disseminação mais ampla. A OMS pediu que governos e doadores aumentem o suporte para vigilância, testes e tratamento, buscando reduzir a mortalidade associada à cepa Bundibugyo.

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