- O Irã vê retorno parcial da internet após cerca de noventa dias de blackout, porém o acesso continua limitado e não está claro se será permanente.
- Algumas redes começaram a conectar-se à internet global na terça-feira, mas o nível de tráfego ainda é inferior ao normal.
- A retomada parece ter sido ordenada pelo governo, em meio a um novo choque entre o regime e a oposição; o desligamento total ocorreu no fim de fevereiro durante o conflito com os Estados Unidos e Israel.
- Analistas apontam que as redes fixas mostram recuperação maior, com a fibra ótica da Telecommunication Company of Iran apresentando o maior ganho; redes móveis pouco mudaram.
- O governo afirma que a restauração ocorrerá conforme a ordem do presidente, mas há desafios legais e uma disputa de poder entre grupos próximos ao governo.
Em meio a quase três meses de queda de serviços, parte da internet volta a conectar no Irã. Observatórios de rede registram tráfego com origem iraniana, ainda que abaixo do nível anterior e sem garantia de continuidade.
O retorno parcial parece ter sido ordenado pelo governo, mas a situação deve ser temporária. Nesta terça, algumas redes localizaram reconexões, sobretudo em serviços fixos, enquanto o tráfego móvel permaneceu mais estável em período de recuperação inicial.
De acordo com analisadores, o Fiber da Telecocom (operadora de fibra) na região de Teerã mostrou o maior ganho para o acesso internacional. O alcance ainda é limitado e não representa a conectividade normal do país.
Ao longo dos últimos anos, o Irã adotou um amplo projeto de controle de conteúdo e de criação de uma intranet nacional para substituir o acesso global. O governo mantém medidas de censura, monitoramento e interrupções de serviços.
A suspensão de fevereiro coincidiu com o início de um novo ciclo de tensões com os Estados Unidos e Israel, que declarou ações bélicas no território iraniano. A reconexão ocorre enquanto negociações internacionais sobre um cessar-fogo avançam em paralelo.
Quem atua no tema aponta que a restauração pode enfrentar disputas políticas internas. O grupo ligado ao atual presidente, que supervisiona termos de governança do ciberespaço, tem apresentado ordens divergentes que geram incerteza sobre a continuidade do serviço.
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